Moçambique: Vendedores coercivamente retirados voltam a ocupar passeios no mercado Grossista do Zimpeto

Vendedores retalhistas que desenvolvem as suas actividades no mercado Grossista do Zimpeto, na cidade de Maputo, foram sensibilizados a retirarem-se, voluntariamente, dos locais impróprios para o comércio e a ocuparem as bancas vazias nos mercados municipais.

Trata-se de uma medida que visa organizar o Grossista e aliviar os passeios que há anos foram tomados pelos informais dificultando a circulação de pessoas e violando a postura camarária, bem como disciplinar os comerciantes a vender em locais apropriados.

A acção foi desencadeada pela direcção de Mercados e Feiras, do Conselho Municipal da Cidade de Maputo (CMCM), administração do Grossista do Zimpeto e Polícia Municipal.

Os vendedores foram retirados coercivamente em Julho do ano passado, tendo recebido guias para ocuparem bancas vazias no mercado municipal do Matendene, no bairro do Magoanine C e no espaço das antenas no bairro Laulane.

Entretanto, aos poucos, os informais foram retornando ao Grossista, onde ocupam até os lugares que antes estavam vazios sob olhares impávidos da Polícia Municipal que tem o seu posto de trabalho naquele mercado.

Marcela Guambe de 37 anos, vendedora diz não ter sido justo a remoção dos ambulantes e retalhistas mandando para mercados já ocupados e/ou para lugares que nunca serviram como mercado, pois, ninguém iria pra lá e como prejuízo ela, assim como outros colegas, perderam produtos e somas avultadas.

Timoteo Honwana de 51 anos, carpinteiro e comerciante no Zimpeto, diz que a medida foi acertada mas o erro foi do próprio Município que apenas tirou os vendedores e não deu seguimento ao processo. “O governo de Eneas Comiche faz coisas sem planificar os passos subsequentes, não é só aqui no Zimpeto, mesmo na baixa da cidade de Maputo, os ambulantes voltaram a ocupar os passeios, daqui a um tempo será a vez dos ambulantes do mercado estrela vermelha” disse.

Por sua vez um agente da Policia Municipal que preferiu anonimato alegando não ser o porta-voz disse “estamos a ver os retalhistas e ambulantes voltarem aos poucos, nada podemos fazer porque sabemos que essa gente quer garantir o seu ganha pão, o sustento para suas famílias, a vida está difícil para todos, quando os tiramos daqui à força, soltamos os cães polícias e até disparamos, isso dói bastante mesmo pra nós, de verdade, sentimos, mas não temos outra alternativa, estamos a cumprir ordens superiores”.

Aurelio Sambo

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