Moçambique

Moçambique: Vítimas dos ataques em Cabo Delgado fogem para Pemba

Pemba

A população da província de Cabo Delgado continua a fugir dos ataques armados, que ocorrem desde outubro de 2017 e que têm vindo a piorar. Os mais recentes, realizados na semana passada em Mocímboa da Praia e em Quissanga, foram reivindicados pelo Estado Islâmico.

Este grupo de insurgentes fez a reivindicação da invasão a Mocímboa da Praia na passada terça-feira, 24 de março, tendo içado a sua bandeira e efetuado ataques que se prolongaram por horas. O quartel das Forças de Defesa e Segurança do país foi igualmente alvo, de acordo com o comandante-geral da Polícia da República de Moçambique.

Entretanto, a cidade portuária Pemba, capital de Cabo Delgado, recebeu cerca de 300 deslocados dos ataques armados, entre os quais dezenas de famílias. O motivo deve-se à crescente tensão e ao clima de insegurança instalado na província.

Alguns deslocados têm chegado por via terrestre, mas a maioria usa a via marítima, em barcos superlotados, que atracam no bairro Paquitequete, um subúrbio histórico  da capital da província. A maior parte das vítimas são mulheres, crianças e idosos, vindas de Mocímboa da Praia e da sede do distrito de Quissanga.

Alguns deslocados decidiram fugir para outras províncias, como a vizinha Nampula, mas a  maior parte foi acolhida em Pemba, em casas de familiares, amigos e pessoas prontas a ajudar.

Muitos dos que fogem não sabem quando irão regressar à sua zona, uma vez que os insurgentes têm queimado várias casas, além de matarem alguns cidadãos.

De acordo com o Chefe da Unidade C do bairro Paquitequete, Aifo Corrente, chegam, por dia, cerca de dez barcos das recentes zonas invadidas. Em uma semana foram contabilizados cerca de mil deslocados, vindas em embarcações superlotadas, com algumas a transportar aproximadamente 100 pessoas em cada viagem.

As Forças de Defesa e Segurança garantem estar a trabalhar para devolverem a tranquilidade da população que foge dos ataques, que, desde 2017, já causaram, pelo menos, 350 mortos, além de haver 156.400 pessoas afetadas com perda de bens ou obrigadas a abandonar casa e terras em busca de locais seguros.

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