Moçambique

Novo escândalo de dívida encoberta compromete Felipe Nyusi

(c) Chickenonline, Pixabay

O governo moçambicano admitiu esta semana a existência de uma dívida oculta de US$ 787 milhões, divulgada em primeira mão pelo jornal norte-americano Wall Street Journal (WSJ) a 3 de abril, contraída pela empresa de capital maioritariamente público PRO-INDICUS, a qual, tal como anteriormente a empresa EMATUM, obteve uma garantia soberana do Estado moçambicano para contrair um empréstimo para a aquisição de equipamento naval de defesa.

De acordo com declarações do representante do FMI para Moçambique, o Fundo tinha conhecimento da existência da empresa ProIndicus desde 2013 e era sabido que se tratava de um veículo do Estado para a aquisição de equipamentos de defesa, mas a versão posta a circular pelo governo moçambicano na altura era que esta empresa tinha sido substituída pela empresa EMATUM com o mesmo propósito, o que vem agora  a revelar-se como uma mentira grosseira.

Deste modo, o escândalo envolvendo a empresa EMATUM adquire o dobro da dimensão inicialmente prevista e ameaça pôr em causa o relacionamento do Estado moçambicano com o FMI e com os seus principais financiadores e doadores internacionais, numa altura em que o ministro das Finanças, Adriano Maleiane, e o governador do Banco Central, Ernesto Gove, estão em Washington para participar, neste fim de semana, nos Encontros da Primavera que o FMI promove anualmente.

As relações de Moçambique com o FMI estão bastante deterioradas desde que o ministro das Finanças na altura, Manuel Chang, iludiu os responsáveis do Fundo ao garantir que o empréstimo da EMATUM tinha sido autorizado pelo Parlamento, o que também é mentira.

O envolvimento do presidente Filipe Nyusi no escândalo da EMATUM, que era na altura ministro da Defesa, também contribui para aumentar a desconfiança relativamente à atual classe politica que gere o país. Ambos os negócios foram preparados pelo presidente da altura, Armando Guebuza, pelo ministério da Defesa e pelo ministério das Finanças. No caso da ProIndicus, o envolvimento do atual presidente é ainda mais comprometedor, uma vez que esta empresa é detida por uma empresa de investimento, a Monte Binga, detida pelo ministério da Defesa, o que compromete diretamente Felipe Nyusi.

Além do mais, o envolvimento de uma empresa detida pelo ministério da Defesa, que mantém relações com empresas de segurança privada e na aquisição de equipamentos de defesa reveste-se de especial gravidade no contexto de insegurança generalizada que se vive no país, alimentando especulações sobre a influência de interesses privados interessados em alimentar o clima de guerra que alastra nas províncias do centro e do norte de Moçambique.

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