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Associação luso-venezuelana desenvolve plataforma de apoio aos portugueses na Venezuela e em Portugal

Jorge Pereira, secretário-geral da Alusven

A violenta crise político-económica que instalou-se Venezuela levou a que uma grande vaga de portugueses e luso-descendentes decidissem deixar o país, optando por reconstruir a vida em outros países latino-americanos, mas também em Portugal, que subitamente viu regressar um número inabitual de portugueses provenientes da Venezuela.

A reintegração desta população nacional é todavia um processo complexo. Após uma vida construída na Venezuela, os portugueses e luso-descendentes, no processo de reinstalação em Portugal, são confrontados com uma complexa máquina burocrática agravada pela falta de informação. Documentação, segurança social, protecção jurídica, reformas, assistência médica, desemprego, são alguns dos problemas. Os luso-descendentes esbarram-se, também, contra um complexo percurso para o reconhecimento da nacionalidade, e às dificuldades em obterem reconhecimento e equivalência dos seus diplomas universitários venezuelanos em Portugal.

“Cada caso é um caso particular, e não um conjunto”

Apesar da assistência que o Estado português tenta garantir, foi constatada a falta de uma organização que concentre todos os serviços de assistência e garanta um apoio a esta população, em Portugal e na Venezuela, em que “cada caso é um caso particular, e não um conjunto”. Mas também, uma estrutura não-governamental que garanta de forma continuada os mecanismos de apoio social e empresarial nos dois países, tendo como fio condutor as necessidades, assim como o potencial, da presença portuguesa na Venezuela e dos portugueses que pretendem reinstalar-se ou regressados a Portugal.

Foi com base na constatação desta miríade de problemas e lacunas que nasceu, em Junho de 2019, a Associação Luso-Venezuelana de Cooperação e Desenvolvimento, que assumiu o acrónimo Alusven. A associação, presidida Rui Nunes, médico português, professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e responsável pela Cátedra de Bioética da UNESCO, pretende “colmatar a necessidade de uma organização que represente e aglutine a vasta comunidade luso-venezuelana, tanto em Portugal como na Venezuela, estimada em mais de meio milhão de pessoas”.

“Temos vários projectos previstos”, entre os quais de “ajuda humanitária apoiando o envio de bens sanitários para a Venezuela”, explicou Jorge Pereira, secretário-geral da Alusven. Consciente das novas realidades locais e ambiente de crise político-económica, a Alusven organiza a ajuda através de “envios individuais e colectivos”. Tendo já a Alusven garantida a logística para “entrega porta a porta de qualquer tipo de produto humanitário”.

A Cáritas e Igreja católica que garantem que “as ajudas humanitárias não sejam utilizadas para fins políticos, nem pelo governo nem pela oposição”

A Alusven conta também, na “vertente de ajuda colectiva”, com a Cáritas e Igreja católica que garantem que “as ajudas humanitárias não sejam utilizadas para fins políticos, nem pelo governo nem pela oposição”. Esta estratégia, de acordo com Jorge Pereira, é determinante na afirmação da Alusven como organização apartidária, sendo que a Cáritas e a Igreja, são “instituições respeitadas tanto pelo governo como pela oposição”, assim, “teremos a garantia que as ajudas humanitárias não vão ser desviadas e chegam ao destino”.

Para além da ajuda humanitária, a Alusven pretende dar apoio ao “dia-a-dia dos luso venezuelanos”, por exemplo, através de assistência jurídica, resultado de acordos já estabelecidos entre a associação e diversos escritórios de advogados. Para além da área jurídica, foram igualmente estabelecidos acordos para fornecer assistência no sector da saúde, entre outro tipo de serviços “que vão ser garantidos aos associados da Alusven”, disse Jorge Pereira.

O sector do ensino é também considerado prioritário na intervenção da Alusven, que incluiu na sua acção a formação e o ensino da língua portuguesa, bem como parcerias com universidades portuguesas e venezuelanas, tentando assim contribuir na resolução dos entraves ainda persistentes na atribuição das equivalências. Neste âmbito, a Alusven pretende dinamizar o ensino da língua portuguesa junto dos luso venezuelanos em Portugal e alargar o ensino do português na Venezuela. Uma panóplia de serviços que a Alusven irá disponibilizar através de uma plataforma online.

“Esta plataforma, que estará operacional no final de Setembro, irá permitir a qualquer pessoa tornar-se sócio da Alusven, em Portugal e na Venezuela, e através desta plataforma os utentes vão ter acesso a informação específica às suas necessidades. Por esta via todos os nossos parceiros vão também ter acesso à totalidade das operações da Alusven, assim como concentrará o que a associação vai disponibilizar à comunidade. Tal como, os contactos da assistência jurídica, instituições de ensino e médicas. Esta plataforma será um dos eixos principais da associação”, explicou Jorge Pereira.

O secretário-geral da associação precisou ainda que a Alusven pretende estar adaptada à realidade dos portugueses na Venezuela, e após ter constatado que vários optaram por não partir directamente para Portugal, por motivos de ordem pessoal ou económica, a Alusven já está em condições para prestar assistência jurídica, entre outras, no Chile, Colômbia ou Espanha.

A mesma plataforma contará também com um espaço reservado à oferta e procura de emprego, em Portugal e na Venezuela, pondo em contacto directo as empresas e os potenciais candidatos. A Alusven pretende também intervir na facilitação dos mecanismos necessários às empresas portuguesas que pretendem instalar-se na Venezuela, bem como às empresas venezuelanas que querem chegar ao mercado português.

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