Portugal

Evento em Viseu irá discutir investimentos provenientes da Diáspora portuguesa

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Entre os dias 12 e 14 de dezembro, o Pavilhão Multiusos da cidade de Viseu vai ser palco do IV Encontro de Investidores da Diáspora sob o tema “Conhecer para investir”. Além de empresários e investidores, estarão presentes na sessão de abertura do evento o presidente da Câmara Municipal de Viseu, Almeida Henriques, os ministros de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, o presidente do Conselho Intermunicipal da CIM Viseu Dão Lafões, Rogério Abrantes, e o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, António Veiga Simão. Outros nomes do atual governo português irão também marcar presença.

Os objetivos do certame passam por afirmar “uma visão cada vez mais integrada da importância estratégica e peso económico do empreendedorismo das comunidades portuguesas”, além de “facultar aos participantes informação atualizada sobre mecanismos e programas de incentivo e apoio ao investimento em Portugal e à internacionalização de projetos de âmbito local e regional”.

Em entrevista , a Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, ressaltou as linhas gerais do encontro, falou sobre as expectativas da realização do evento deste ano, frisou o papel do Gabinete de Apoio ao Investidor da Diáspora e destacou a importância de se apostar na internacionalização e no empreendedorismo.

 

Como está formatado o evento deste ano?

À imagem de anos anteriores procurámos convidar responsáveis governativos e de entidades públicas que pudessem fornecer informação útil e atual sobre os instrumentos disponíveis para o investimento em Portugal e também sobre as potencialidades que o País possui em diferentes áreas. Essa dimensão vai ser equilibrada com a apresentação de empresas e de projetos por parte de empresas sedeadas em Portugal e que desejam internacionalizar-se e de outras da diáspora, que investiram, ou querem investir, em Portugal.

Em relação à Diáspora portuguesa, como essa comunidade deve olhar para a realização do encontro?

O encontro deve ser encarado como uma oportunidade para a obtenção de informações muito atualizadas e direcionadas para várias áreas nas quais Portugal possui potencialidades para o investimento. Este evento constitui também uma ocasião para o debate e a troca de ideias, que possa abrir novos caminhos de futuros para o desenvolvimento de novos negócios, que contribuem para a criação de emprego e de riqueza.

Por que realizar o evento em Viseu?

Temos tido como orientação prioritária levar o evento para diferentes regiões do território nacional, para que possam participar diferentes agentes de desenvolvimento, mas também para que as potencialidades das regiões possam ser conhecidas dos investidores. Depois de Sintra, Viana do Castelo, Penafiel, Açores e Madeira, entendemos que fazia sentido rumar à região Centro. Existiram diferentes manifestações de interesse e a Comunidade Intermunicipal de Viseu – Dão Lafões mostrou uma vontade concreta de acolher o evento. A Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões, o Município de Viseu e a Associação Empresarial da Região de Viseu emprestam o seu entusiasmo, experiência e conhecimento do território e dos seus agentes. Pela primeira vez estes encontros contam com o envolvimento de uma Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (Centro) e de entidades regionais como a Entidade Regional do Turismo do Centro de Portugal e a Comissão Diretiva do Centro 2020 o que confere uma maior abrangência à iniciativa.

Como Portugal e a sua diáspora podem beneficiar da realização do evento?

O incremento do investimento da diáspora em Portugal é benéfico para o reforço e para diversificação da economia nacional. Mas também serve para aumentar a inserção das empresas portuguesas nos mercados externos.

Existem dados que comprovem o sucesso dos eventos anteriores?

Em primeiro lugar deve ser referido que foram concretizados projetos e iniciativas empresariais com origem na diáspora, nos territórios onde os eventos foram realizados. Também os números crescentes de participação, bem como o elevado interesse suscitado pelas diferentes apresentações realizadas e o debate que em torno delas se gerou, têm sido indicadores relevantes do sucesso das iniciativas.

Quais serão as novas linhas de apoio ao investimento da diáspora apresentadas?

Temos a expetativa da apresentação de várias políticas – algumas que se encontram já no terreno, outras a implementar –, que visam criar mais oportunidades de investimento em Portugal. Merecem um olhar de especial atenção os territórios de baixa densidade e as regiões autónomas, que se confrontam com maiores desafios para o seu desenvolvimento.

Que linhas de apoio existem atualmente?

Especificamente para os cidadãos da diáspora existe uma linha de crédito direcionada para os investidores lusovenezuelanos e outra linha de crédito associada ao Programa Regressar. Ambas possuem condições mais favoráveis face ao que o mercado privado apresenta e destinam-se à promoção do investimento da diáspora.

É importante notar ainda que os cidadãos da diáspora, sendo portugueses, podem aceder a diferentes programas e incentivos no que concerne ao investimento, nomeadamente por intermédio de fundos comunitários.

Qual é a importância e o papel do Gabinete de Apoio ao Investidor da Diáspora?

O Gabinete de Apoio ao Investidor da Diáspora (GAID) realiza, quotidianamente, um trabalho de valorização do investimento da diáspora em Portugal. A preparação dos Encontros de Investidores da Diáspora é a face mais visível da sua atividade. Mas é importante notar que o mesmo se encontra sempre “de portas abertas” para receber e orientar as intenções de investimento dos nossos empreendedores e contribuir para o sucesso das mesmas, em articulação com a rede diplomática portuguesa, a rede interministerial e a rede dos municípios.

Que ações do Gabinete podem auxiliar os investidores?

O encaminhamento dos assuntos para outras entidades sedeadas em Portugal é um apoio importante, porque desbloqueia e desburocratiza a concretização desses investimentos. Realizamos diferentes roteiros junto de investimentos em curso, ou já realizados, que demonstram como esse acompanhamento foi importante. O GAID participa também na discussão de estratégias nacionais e na produção de instrumentos relacionados com o investimento em Portugal. Foi parte integrante na conceção do Programa Regressar, que contém uma linha de crédito para investidores da diáspora.

Por que o tema da internacionalização é tão importante?

O facto de este ser um evento aberto também à participação dos agentes económicos, entidades públicas e de desenvolvimento sedeados em Portugal, permite que se criem parcerias para a internacionalização de produtos, serviços e empresas portuguesas. Através de empresas e de empresários portugueses já instalados no estrangeiro, esse esforço de internacionalização das empresas faz-se com maior facilidade e permite a obtenção de sinergias e de complementaridades entre as diferentes empresas.

De que forma IAPMEI e AICEP podem auxiliar nesse processo de ligação entre investidores e empreendedores da Diáspora?

A AICEP e o IAPMEI possuem competências específicas, respetivamente, na atração de investimento estrangeiro e no apoio ao tecido económico português. Estas entidades têm estado sempre presentes nos Encontros de Investidores da Diáspora, por via da presença dos seus dirigentes e de espaços de informação a potenciais investidores.

Por fim, como a Secretaria de Estado das Comunidades vê o empreendedorismo no seio das comunidades portuguesas?

Conhecemos bem a importância que as comunidades portuguesas têm para o nosso País e o modo como contribuem para o seu desenvolvimento social e económico. O espírito de sacrifício, o trabalho denodado e a sua capacidade de correr riscos e de empreender devem ser cada vez mais exemplos de orgulho para toda a sociedade portuguesa. O cidadão emigrante ou lusodescendente, quando investe, gosta de o fazer no município ou na sua região de origem. Esta dimensão afetiva é muito relevante porque promove a coesão social e territorial do nosso País. Por essa via o investimento alcança diferentes territórios, contribuindo para a criação de empregos, de riqueza e de oportunidades para as comunidades locais. Em todos os municípios de Portugal, nas cidades, vilas e até em algumas aldeias é possível observar investimentos concretos dessa natureza.

O programa completo do encontro pode ser visualizado no link: https://www.portaldascomunidades.mne.pt

 

Ígor Lopes

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