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Marcelo e Bolsonaro conversaram sobre políticas comuns em Brasília

O presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, e o seu homólogo brasileiro, Jair Bolsonaro, aproveitaram um encontro em Brasília para discutir temas de interesse de ambos os países, como cooperação na área militar, fortalecimento da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), a conferência dos oceanos, as relações União Europeia/Mercosul, além das necessidades das comunidades portuguesa no Brasil e brasileira em Portugal. O encontro entre os dois presidentes aconteceu no dia 1 de janeiro, no Palácio do Planalto, no âmbito da participação do governo português na cerimónia de posse do novo presidente do Brasil.

Jair Bolsonaro aproveitou a oportunidade para garantir a Marcelo Rebelo de Sousa que “o governo brasileiro ampliará o bilateralismo e fortalecerá a amizade e o comércio com Portugal, ampliando também a cooperação em áreas como educação, inovação e turismo”.

No final do encontro, Marcelo Rebelo de Sousa disse estar satisfeito com a conversa que teve com Bolsonaro, a qual classificou como “muito boa” e como “uma conversa entre irmãos”.

O presidente português adiantou também que é possível que Bolsonaro faça uma visita oficial a Portugal “entre o fim de 2019 e início de 2020”.

 

Países de língua portuguesa

Questionado pela imprensa se aproveitou o momento para dar alguma sugestão a Bolsonaro, Marcelo Rebelo de Sousa foi enfático.

“Não. Um chefe de Estado nunca dá conselho a outro chefe de Estado. E cada um faz o seu percurso. E não esqueçamos que no caso do presidente Bolsonaro é presidente do Brasil, que é uma potência, com uma presença no mundo, com uma dimensão populacional, económica, política e estratégica essencial”, reforçou.

Sobre a posição do Brasil na CPLP, Marcelo Rebelo de Sousa defende uma actuação cada vez mais presente por parte do governo brasileiro.

“Não há CPLP sem Brasil. O Brasil é uma potência mundial, é um país liderante do Mercosul, tem um peso fundamental no universo latino-americano”, disse o chefe de Estado português.

Segundo apurámos, Bolsonaro está a avaliar a política a ser “adoptada” em torno do tema com a sua equipa das Relações Exteriores.

 

Sem pressão

Conhecido da comunidade portuguesa no Brasil, o diplomata português Francisco Ribeiro Telles, que assumiu recentemente o cargo de secretário executivo da CPLP, esteve presente em Brasília e assistiu à posse de Jair Bolsonaro. Quem também marcou presença para acompanhar de perto toda essa movimentação foi o presidente em exercício da comunidade lusófona, o chefe de Estado de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca.

Durante o deslocamento ao Brasil, o presidente português esteve acompanhado pela secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro, pelo seu chefe da Casa Militar, o tenente-general Vaz Antunes, e pelo embaixador de Portugal em Brasília, Jorge Cabral.

Por fim, Marcelo comentou que Portugal “teve relevo protocolar, foi tratado de forma afável e beneficiou com a sua representação na posse de Jair Bolsonaro como presidente do Brasil”.

 

Aproximação visível

As relações entre Portugal e o novo governo brasileiro começam a ganhar contornos quase que bem definidos. O propósito da possível visita oficial que Bolsonaro fará a Portugal, ainda sem data certa, é para que ele participe na tradicional cimeira bilateral anual entre os dois países.

A intenção foi avançada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, que garantiu, em solo lusitano, que a política externa portuguesa quer “trabalhar com o novo poder em Brasília”.

“No ano passado, devido ao calendário eleitoral brasileiro, achou-se que não fazia sentido fazer uma cimeira antes das eleições presidenciais. A próxima cimeira já será com o presidente Jair Bolsonaro. O presidente da República portuguesa convidou o presidente Bolsonaro para visitar Portugal, trabalharemos na diplomacia para que as duas ocasiões se aproximem”, disse o ministro, em Lisboa.

Este responsável disse ainda estar confiante na relação bilateral positiva entre Portugal e o Brasil.

“Temos uma agenda comum, uma concertação habitual de posições no espaço internacional, e nada me faz pensar que essa agenda em comum e essa concertação de posições possam estar em risco”, defendeu Augusto Santos Silva, que realçou que o Brasil é como “um país irmão muitíssimo próximo de Portugal”.

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