Portugal: João Soares apela a “movimento pacífico” em Angola

angola; bandeira

O ex-dirigente do Partido Socialista, João Soares, defende que deve haver “um grande movimento popular pacífico” em Angola. A seu ver, tal servirá para impedir que “se volte a fazer uma vigarice eleitoral” no país nas próximas eleições, previstas para agosto. 

As declarações do político português, próximo da UNITA, foram feitas à “Lusa”. Segundo Soares, “é preciso que haja um grande movimento popular pacífico para impedir que, mais uma vez, o poder cleptocrático – o poder da ladroagem, das maiores que eu conheço no mundo, que é o de Angola, infelizmente – volte a fazer uma vigarice eleitoral”

Até hoje, prosseguiu, “não houve eleições democráticas em Angola”, consideradas como tal à luz dos padrões internacionais como “livres e justas”

O antigo ministro da Cultura de Portugal e filho do já falecido fundador do PS, Mário Soares, acrescentou que “nunca houve um debate televisivo, nem sequer jornalístico, entre os candidatos presidenciais” em Angola. 

“Quando não há cadernos eleitorais elaborados de uma forma séria, não pode haver eleições livres. Quando não há o mínimo de controlo sobre os meios de campanha de cada uma das forças políticas, presentes no combate eleitoral, e quando não há o mínimo de debate democrático nos órgãos de comunicação social, não pode haver eleições livres”, argumentou. 

Referiu igualmente que a oposição “não participa no escrutínio dos votos que se faz em cada mesa de voto”, mais um fator pelo qual “a nível local, distrital e provincial não pode haver eleições livres”. Outra crítica feita foi o facto de os dirigentes do país anunciaram as eleições, mas “ainda não têm cadernos eleitorais e a Comissão Nacional de Eleições não tem representação dos partidos políticos da oposição”

Em Angola “há 48 anos que o Presidente da República é o presidente do MPLA, o primeiro-ministro é um quadro qualificado do MPLA, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça é do MPLA e o presidente da Comissão Nacional de Eleições é do MPLA”. Assim, “como é que pode haver eleições democráticas num quadro destes?”, questionou.

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