“Vitória sem maioria absoluta, não vale a pena”. A afirmação é do líder do ADI, na grande entrevista ao programa “50 minutos” transmitido pela televisão de São Tomé e Príncipe, para assinalar o 3.º aniversário da vitória eleitoral a 12 de Outubro de 2014.
Para Patrice Trovoada existem dois blocos: o ADI e o que chamou de “troika”, as forças da oposição com assento parlamentar: o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), o Partido da Convergência Democrática (PCD) e a União Democrática para Cidadania e Desenvolvimento (UDD). O presidente do ADI acusa-os de “estar toda unida contra nós”.
Face a excessos praticados pelo partido no poder, a oposição formou um bloco, incluindo os partidos sem assento parlamentar. Mas até agora não há indicação de que formarão uma coligação antes das eleições, até porque “cada um tem a sua identidade”, como deixaram claro.
“O povo não vota no ADI e entrega o poder a “troika”, ou vota no ADI que continua a governar”, disse. “Uma vitória com maioria simples significa derrota do ADI”, acrescentou.
O tom de Patrice Trovoada na entrevista foi de campanha. Criticou a oposição, cujas “caras são as mesmas”, em que “não há renovação”, “não tem propostas” e falta liderança. Por isso, recusa qualquer tipo de coligação em caso de maioria simples para garantir sustentabilidade parlamentar.
O presidente do partido no poder, que assumiu ser candidato a sua própria sucessão diz que tem “possibilidades objetivas” de ganhar as próximas eleições.
Reivindicou para o seu governo, a eletrificação do país e o alargamento da rede do fornecimento de água potável, fazendo tábua rasa de que estes processos começaram há anos e existe continuidade de Estado.
Entretanto, admitiu que todas as promessas eleitorais não foram cumpridas e que é “muito difícil” governar São Tomé e Príncipe. Clarificou que o prometido Dubai é para 10 anos e não significa construção de arranha-céus, mas sim a transformação do país.
Defendeu que paulatinamente, o país deve sair da dependência externa e a aposta deve ser na excelência, como plataforma de prestação de serviços e explorando da melhor maneira as potencialidades turísticas.
Evitou questões polémicas como as clivagens com os ex-presidentes da República Manuel Pinto da Costa e Fradique de Menezes e os ex-primeiros-ministros Rafael Branco e Gabriel Costa, com pedidos de desculpa.
Quanto ao reforço da sua segurança pessoal com agentes preparados por instrutores ruandeses que também estão incluídos na sua unidade de escolta, o chefe do governo diz que a designação de homens para a proteção de representantes dos órgãos de soberania tem caráter rotativo.
Sublinhou que não pode deixar de lado a questão de segurança que deve funcionar “sob um comando unificado” e as forças de defesa e segurança devem ser capacitadas para se adaptarem aos novos desafios e perigos e se tornem cada vez mais republicanas.