São Tomé e Príncipe

Campanha para as Presidenciais 2016 em marcha

Os primeiros dias da campanha para as Presidenciais 2016 foram relativamente mornos. Por exemplo, ainda não se vê muito material de propaganda dos candidatos. Aqui e ali ouve-se dizer que numa conjuntura que exige alguma contenção a gestão está a ser mais criteriosa e o potencial dos candidatos está a ser reservado para a última semana.

Alguns factos parecem indicar a existência de rasteiras. Por exemplo, o festival / comício de Pinto da Costa marcado para iniciar às 15 horas na Trindade, capital do distrito de Mé-Zóchi, este domingo, só arrancou às 20, por causa de dificuldades que surgiram com a logística. Mas milhares de apoiantes que se deslocaram a segunda maior cidade do país não se desmobilizaram.

Uma fonte próxima da candidatura disse a e-global que desde quinta-feira, 30 de junho, que deveriam ter aterrado aviões com o material de campanha de Pinto da Costa. Surgiram barreiras no aeroporto e nas alfândegas que atrasaram o processo e só na tarde de domingo, uma das aeronaves proveniente de Luanda conseguiu trazer uma parte do material.

Pinto da Costa agradeceu a paciência dos seus apoiantes. “O facto de terem ficado aqui tanto tempo significa que têm confiança em Manuel Pinto da Costa. Significa que estão dispostos a caminhar juntos com Manuel Pinto da Costa para vencermos definitivamente a pobreza em São Tomé e Príncipe. Vocês querem caminhar com Manuel Pinto da Costa para definitivamente acabarmos com a divisão, o ódio, o rancor no seio da nossa sociedade. Enquanto existir a pobreza e a miséria haverá permanentemente a discórdia entre nós e nunca haverá tranquilidade suficiente para em conjunto construirmos esse belo país”.

O cidadão Pinto da Costa que tem como lema “O meu partido é São Tomé e Príncipe” considera que o Presidente da República a ser eleito no dia 17 deve ser alguém que saiba “congregar todas as forças, que saiba criar condições para que haja um diálogo entre o poder e a sociedade civil, que haja um diálogo entre as forças políticas, porque sem a existência desse diálogo não é possível beneficiarmos das riquezas de cada um para que em conjunto construirmos definitivamente São Tomé e Príncipe”.

Evaristo Carvalho arrancou a sua campanha no quintal da sua avó, em Santana com passeata pelo distrito de Cantagalo em contacto com a população e no domingo participou na festa religiosa de Pantufo, vila pesqueira dos arredores da capital e que tem como padroeiros S. Pedro e S. Paulo.

«Para ganhar é preciso fé. É por isso que venho para São Pedro, com toda fé que vou ganhar as eleições», justificou.

Carvalho que se apresenta como “a força tranquila” entende que tem o perfil adequado para ser o próximo Presidente da República. “Tenho conhecimento, tenho maturidade, tenho experiência para exercer o cargo de Presidente da República, para permitir a estabilidade, para permitir a coesão política, para impulsionar a agenda do atual governo como de qualquer outro governo”, declarou o candidato do ADI, partido no poder.

A candidatura de Maria das Neves parece ser a mais dinâmica nesta fase de arranque. Apresentou oficialmente a sua candidatura na quinta-feira num hotel da capital, esteve em Oque-d’El-Rei no dia do início da campanha e foi ao Príncipe no domingo.

A única mulher candidata, que conta com o apoio dos partidos MLSTP/PSD e MDFM/PL, representa a “esperança renovada” como diz e tem insistido muito em tudo fazer para “promover o diálogo e reconciliação nacionais e combater a exclusão”.

A motivação de Maria das Neves, que tem como lema da campanha: “Juntos pela estabilidade e reconciliação nacional”, deve-se ao facto de São Tomé e Príncipe ter tudo para dar certo, tendo em conta as potencialidades económicas, humanas e geopolítica, porém o exagerado nível de pobreza, a situação em que se encontra os jovens sem emprego, e o abandono dos idosos que são a biblioteca viva do país, provoca indignação.

«Fazendo a análise da nossa situação constatamos que o que tem bloqueado o desenvolvimento do nosso país são os vários anos de sucessivas instabilidades políticas e a nossa incapacidade de sermos inclusivos e de trabalharmos em conjunto. Considero que o pressuposto básico para eliminarmos o atual estado de coisas é o nosso comprometimento com o trabalho, com o diálogo, com a concertação nacional e com a reconciliação e coesão entre todos os santomenses».

O professor e agricultor Manuel do Rosário garante que a sua candidatura é de inspiração divina. Também considera que enquanto houver discrepância entre o governo e o Presidente quem sofre é a camada mais pequena.

Promete defender de forma intransigente a constituição e demais leis da República. «Portanto, salvaguardarei a estabilidade. Salvaguardarei também a boa governação na base do respeito por todas as cláusulas da Constituição da República que defendem a pátria. Exercerei uma magistratura de influência, para garantir o emprego aos jovens», disse o candidato que iniciou a sua campanha com uma passeata em Changra, a sua localidade de residência.

Helder Barros está de momento ausente do país, mas em declarações prévias disse insistiu igualmente na tecla da estabilidade, realçando a experiência adquirida como mediador de conflitos.

Nota curiosa. Há uma certa convergência no discurso, com ênfase na necessidade de garantir a estabilidade e a paz através do diálogo.

Seja como for, já ficou claro que a luta vai ser entre Manuel Pinto da Costa, Evaristo Carvalho e Maria das Neves.

JR/e-global

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