Economia | São Tomé e Príncipe

Economistas duvidam da avaliação do FMI e alertam para o agravamento da situação económica

São Tomé – Avolumam-se os sinais que indicam que a economia santomense está a passar por dificuldades. Uma das razões é que a dependência do exterior é bastante grande. Outra é que o tecido empresarial é embrionário e está descapitalizado, apesar das potencialidades do país.

As reformas que têm sido implementadas parecem que ainda não estão a ter efeitos na economia real.

Há outras medidas em preparação, como a introdução do Imposto de Valor Acrescentado, IVA, prevista para o início do próximo ano. A governadora do Banco Central anunciou recentemente que o sistema financeiro vai ter que passar também por uma reforma que vai ser desenvolvida durante os próximos dois anos.

Sem entrar em detalhes, Maria do Carmo Silveira disse que são um “conjunto de medidas para melhorar a eficácia do setor financeiro, para melhorar o ambiente de negócios do sistema financeiro, o que pressupõe um conjunto de reformas quer ao nível da legislação em vigor quer a nível dos procedimentos com vista a tornar mais eficaz a atividade no setor financeiro”.

Ela fez estas declarações após a sua última audiência com o Presidente da República. Esta economista e antiga primeira-ministra, já tinha admitido meses atrás que o número de bancos é excessivo para a praça financeira santomense. Vários bancos instalaram-se a partir do ano 2000, com a expectativa do país se transformar em um produtor de petróleo, na sequência da assinatura do Memorando que criou a Zona de Desenvolvimento Conjunto com a Nigéria, o que ainda não aconteceu.

O dossiê petróleo saiu mesmo do discurso oficial, a partir de 2008 e foi substituído por um outro paradigma: transformar STP numa plataforma de prestação de serviços para melhorar os 10% de receitas que o arquipélago arrecada anualmente, manifestamente insuficiente para dar resposta aos desafios de desenvolvimento. Também devido à crise financeira internacional esta via ainda não se concretizou, porque o eixo do programa apoia-se na construção de um porto de águas profundas em Fernão Dias, distrito de Lobata. Área conhecida igualmente pelas atrocidades cometidas pelo poder colonial em 1953.

Tem-se registado quebras de bancos. O último foi o Banco Equador, de capital angolano. O Comercial Bank, COBST, de capital camaronês que já tinha passado por dificuldades há anos, tendo sido o primeiro intervencionado pelo Banco Central, foi há poucos meses transformado em Banco Privado de São Tomé e Príncipe.

Antes, o Island Bank também faliu, os acionistas decidiram pela venda da instituição e foi adquirido por Energy Bank, igualmente de capital nigeriano.
Maria do Carmo Silveira reconheceu que a situação é difícil e contorná-la passa pela implementação nos próximos dois anos de “reformas imediatas” de caráter estrutural para “lidar com essas vulnerabilidades”, nomeadamente a escassez de recursos.

A equipa do FMI, que avaliou recentemente o desempenho macroeconómico, considerou que a economia santomense está razoavelmente sólida.

Porém, diferentes fontes afirmaram ao e-global que há escassez de divisas para transferências. Por exemplo, enviar 5 mil euros para a Europa pode demorar um mês. Vários operadores comerciais sentem-se bloqueados porque não conseguem transferir os montantes que necessitam para honrar os seus compromissos com a importação de mercadorias.

Não é oficial, mas em certos círculos aconselha-se que cada um procure ter reservas alimentares em casa, porque a situação “pode piorar”. E como o mercado funciona, a escassez de bens essenciais vai provocar aumento de preços.

O FMI reviu em alta a taxa de inflação para este ano, de 4% para 5,5%.

De acordo com o Boletim do Banco Central, no final de maio de 2016, “o saldo das Reservas Internacionais Líquidas foi de 47,2 milhões de Dólares, correspondente a uma redução percentual de aproximadamente 0,5% em relação ao mês de abril”.

Aquele montante representava cerca de 3 meses de importações de bens e serviços.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística, no primeiro semestre “as exportações de bens cresceram em 34%”, com o cacau a liderar. A taxa de crescimento do mesmo produto foi de 42.1%.

Em contrapartida, as importações de bens cresceram em 9,6%. “O défice da balança comercial cresceu em 8,5%, enquanto a taxa de cobertura das importações pelas exportações foi de 5,4%”, lê-se na Nota de Imprensa do INE.

«No que diz respeito as importações por Grupos de Produtos, os mais destacados no I Semestre de 2016 foram: Combustíveis Minerais (17,8%), Máquinas e Aparelhos (16,7%), Agrícolas (14,6%), Alimentares (14,5%), do total das importações», acrescenta.

Quanto a produtos alimentares importados entre janeiro e junho do corrente ano, destacam-se farinha de trigo, arroz e açúcar.

JR/ e-global

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