São Tomé e Príncipe

Governo são-tomense lança campanha “Vamos produzir para ter o que comer”

São Tomé e Príncipe entra numa fase de desconfinamento, à qual se segue uma abertura gradual de cafés, pastelarias, restaurantes e locais de culto. No entanto, o espaço aéreo ainda se encontra limitado a voos comerciais excepcionais, impedindo assim que cheguem turistas ao arquipélago e a economia ressente-se dessa ausência.

A crise suscitada pelo novo coronavírus fez com que o governo repensasse algumas medidas de apoio aos pequenos e médios empresários a fim de garantir uma maior autonomia a todos os níveis, especialmente no sector agrícola. Carminda Viegas, coordenadora do PAPAC- Projeto de Apoio À Pequena Agricultura Comercial em entrevista à e-Global.pt, ressalvou a importância do povo são-tomense “aproveitar melhor a sua parcela de terreno e apostar nos produtos nacionais”, como forma de fazer face a uma mais do que provável crise económica.

 

Neste momento é um desígnio nacional para São Tomé e Príncipe desenvolver a pequena e média agricultura no sentido de garantir a auto-suficiência alimentar?

São Tomé e príncipe já foi um país que teve a sua economia baseada na agricultura, mas este sector já conheceu altos e baixos, embora desde a última reforma latifundiária tenham sido criadas pequenas e médias empresas, que hoje constituem a base da agricultura familiar de São Tomé e Príncipe e que produzem alimento para todo o país.

 

Estão reunidas as condições para que esse desenvolvimento agrícola aconteça?

Há terra arável, um clima razoavelmente bom, 9 meses de chuva, 3 meses de estação seca, que propicia um bom desenvolvimento da agricultura e há ainda o financiamento externo. No entanto, também existem fraquezas, como a  insularidade que reduz a capacidade de aprovisionamento e abastecimento de produtos e mesmo a própria importação de bens alimentares, que é uma ameaça para os pequenos agricultores. Por exemplo, a nossa alimentação tradicional é à base de banana, no entanto a nova geração prefere arroz e massa.

 

Perante esta crise, desencadeada pelo novo coronavírus, como é que os pequenos agricultores se preparam para fazer face às novas contingências?

Estamos a atravessar uma situação complicada no mundo inteiro e São Tomé não foge à regra. Dependemos em grande parte do financiamento externo, daí o desafio de lançar à terra todos aqueles produtos que não vêm do exterior e, ao mesmo tempo, lançar a campanha de produção local, desenhada pelo governo com o lema, “Vamos produzir para ter o que comer”.  A campanha exorta a todos sem exceção para a necessidade de aproveitar a sua parcela de quintal para cultivar os produtos agrícolas locais e assim poderem suprir a falta de produtos importados.

 

Os são-tomenses estão a aderir de forma positiva a essa campanha lançada pelo governo?

Sim, as pessoas estão a aderir. Tanto assim que o Ministério da Agricultura são-tomense pôs à disposição das pessoas, de forma gratuita, produtos como plantas de banana, estacas de mandioca, batata doce, sementes de milho, com a condição de o produtor devolver ao estado parte dessa produção. Por exemplo, se recebem 1kg de milho devolvem ao Ministério da agricultura 2Kg, de forma a garantir a sustentabilidade do projeto. O que se tem feito também é permitir uma maior disponibilidade de produtos nas várias zonas o país, daí que também está em curso uma campanha de distribuição dos produtos por todos os distritos para evitar aglomerações no mercado central

 

Como vê até agora a atitude do governo face a esta crise?

Em termos de planificação tem estado bem. O ministério da agricultura lançou o desafio de melhor aproveitamento das terra por parte de todos. As terras não têm sido maximizadas ao longo dos anos, então o governo está a tentar fazer produção em massa de alguns produtos através da unificação de parcelas, o  que, por sua vez, poderá permitir a utilização de máquinas agrícolas e outros compostos para aumentar a produtividade. Outra política importante passa por desenvolver hortícolas em estufas em vez de plantações que não têm muito significado para o abastecimento do mercado. O objectivo passa por fazer aumentar o rendimento das parcelas, orientar uma melhor exploração dos terrenos, garantir soberania alimentar e, se houver excedente, exportar esses produtos para os países da costa africana. Apenas exportamos cacau, pimenta, óleo de palma e isso não é suficiente para alavancar a economia

 

A quebra do Turismo afetou também de alguma forma o escoamento de produtos?

Sim, sem dúvida. O governo apoiou a produção de café, que era não só exportado mas também comercializado nos supermercados e hotéis. Com esta situação de pandemia os hotéis ficaram fechados e não há comercialização do produto, pois o consumo local é bastante insignificante. Quem diz o café, diz também outros produtos como frutas. Hoje, esses agricultores não conseguem escoar esses produtos e estão de pés e mãos atados.

 

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