Orçamento retificativo de STP aprovado na generalidade

O orçamento retificativo avaliado em 126 milhões de euros foi aprovado com os votos da bancada maioritária do ADI que suporta o governo. O MLSTP/PSD e a UDD votaram contra e o PCD absteve-se.

Na declaração antes da votação, a bancada do principal partido da oposição justificou a sua opção, qualificando este orçamento de “falsidade”, “irreal” e um “veneno” para São Tomé e Príncipe.

«Esperávamos que fosse um orçamento diferente, com perspetivas, que abre esperança para a vida das pessoas», comentou Jorge Amado, acrescentando que “o país está cada vez pior e a vida das pessoas não melhora. A economia não cresce, a exportação não cresce, o consumo diminuiu, o investimento diminuiu principalmente o investimento público gerador de emprego”, afirmou o líder da bancada parlamentar.

Referindo-se à atualização das taxas e o aumento de impostos, Jorge Amado considerou que “o governo mete a mão no bolso das pessoas, retira o último tostão para ver se acerta contas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial”.

Para os sociais-democratas, o governo criou “um ciclo vicioso de empobrecimento das pessoas e do país” e 2015 a 2017 representaram “anos de estagnação do nosso país” e o orçamento retificativo “não apresenta soluções”.

Na perspetiva do Partido de Convergência Democrática, “a pobreza aumentou, os impostos e outras taxas aumentaram, o desemprego aumentou, o arroz de 13 contos tornou-se conto, a saúde está nos cuidados intensivos e os agricultores estão cada vez mais jogados a sua sorte”.

O líder parlamentar não deixou de falar da criminalidade que “tomou conta do país de forma assustadora. O assalto à mão armada por gangues já é realidade no nosso país. A promessa de uma pessoa, um emprego e um salário ficou na promessa” referiu Danilson Cotu.

«O país e o povo encontram-se mergulhados na maior dificuldade de sempre. Foram várias as tentativas de adivinhar o pin e como resultado o país bloqueou. Se antes de o ADI vencer as eleições de 2014, o país estava a precisar do pin, hoje, face à estagnação social, económica e humana que se vive, o país está a pedir o puk», acrescentou.

Porém, o PCD decidiu dar o benefício da dúvida ao governo, abstendo-se na votação.

O representante do ADI defendeu o documento, justificando que as medidas do orçamento “constituem opções mais acertadas para o país, na conjuntura atual”. José Manuel Costa Alegre encorajou o governo “a seguir em frente, com determinação e coragem que o país precisa”.

O primeiro-ministro, que não disse uma palavra durante a discussão, justificou as medidas impopulares antes do encerramento da sessão, com a necessidade de “fazermos de tudo para reduzirmos o défice para níveis aceitáveis” e para evitar “uma situação mais grave ainda, que é o corte dos apoios ao orçamento pela parte do Banco Mundial e da União Europeia devido as imposições do FMI”.

“A preservação do acordo com o FMI foi determinante na escolha que fizemos para evitar dificuldades acrescidas no final do ano”, explicou Patrice Trovoada. Ele apelou também aos parceiros que “continuem a acreditar em nós e na nossa determinação em melhorar o estado das nossas finanças públicas e da nossa economia”.

«Esse governo jamais irá exigir ao povo sacrifícios impossíveis e que comprometem irreversivelmente o futuro do país e a paz social. Mas que tem que haver sacrifício, tem que haver», sublinhou.

Trovoada acusou ainda a oposição por não ter contribuído para a melhoria do documento e “tentou alimentar, por vezes, o medo e a revolta no seio da população”, mas espera uma atitude positiva dos deputados, particularmente da oposição na discussão na especialidade prevista para os próximos dias, antes da aprovação final global.

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