São Tomé e Príncipe

Paludismo deixou de ser causa de morte

A eliminação do paludismo é a aposta de São Tomé e Príncipe. O propósito vai ao encontro da terceira meta do Objetivo de Desenvolvimento Sustentado que deverá ser concretizada até 2030.

O paludismo deixou de ser a primeira causa de morbilidade e mortalidade no arquipélago. Na ilha do Príncipe já se está na fase de pré-eliminação. Em São Tomé, a taxa de transmissão desta enfermidade é baixa.

Estes resultados foram reconfirmados na avaliação do desempenho do Programa Estratégico de Luta contra o Paludismo 2012-2016 realizada nas últimas duas semanas com a participação de peritos da Organização Mundial da Saúde.

Os objetivos do exercício foram: avaliar o progresso do Programa Nacional de luta contra o Paludismo para as metas de impacto epidemiológico e entomológico durante o período de revisão; examinar o nível de financiamento do Plano Estratégico Nacional contra o Paludismo; analisar as capacidades do programa na implementação das atividades previstas; avaliar os resultados alcançados nas diversas áreas de intervenção e definir novas orientações com base nas lições aprendidas. Foram feitas recomendações para cada um dos aspetos para se melhorar o desempenho.

Apesar dos avanços alcançados que permitiram o país ser reconhecido por três vezes com o Prémio de Excelência da Aliança dos Líderes Africanos contra o Paludismo, por ter cumprido o sexto Objetivo do Desenvolvimento do Milénio, que estipulava a redução de incidência do paludismo e outras doenças até 2015, a avaliação feita indicou que ainda existem vários desafios.

Como sublinhou o representante da OMS, René Zitsamele-Coddy, na sessão para a restituição dos resultados da avaliação, os parceiros estão conscientes dos “numerosos desafios para manter estes ganhos e avançar para a eliminação, nomeadamente: a insuficiente colaboração intersetorial na luta contra o paludismo; a necessidade de reforço do quadro de concertação dos parceiros sob a liderança nacional; a necessidade de reforço da capacidade institucional do programa para uma maior liderança face aos desafios da eliminação; a necessidade de reforço das capacidades técnicas do programa nos diferentes domínios da eliminação; a dificuldade de mobilização dos recursos nacionais para a luta contra o paludismo como forma de garantir a sustentabilidade das intervenções”.

No âmbito da mobilização de recursos, por exemplo, foi recomendado aumentar a contribuição do Estado, num mínimo de 5 dólares per capita; mobilizar mais o setor privado nacional e identificar fontes inovadoras de financiamento interno para a luta contra a malária; assim como continuar a desenvolver esforços para mobilizar recursos externos, através de parceiros tradicionais e identificar novos colaboradores. Neste ciclo, o grosso do financiamento foi externo. O Fundo Global contribuiu com 57% e a China Taiwan, cerca de 40%. O governo entrou com aproximadamente 3%.

A ministra da Saúde prometeu que tudo será feito no sentido de que “sejam identificadas novas fontes de financiamento e mobilizados mais recursos para o fortalecimento do programa”.

«Grande ênfase deverá ser dado na melhoria da qualidade de gestão do programa. Mais atenção no diagnóstico e tratamento do paludismo. É necessário pensar-se de modo proativo”, sentenciou Maria de Jesus Trovoada.

A titular da Saúde destacou ainda a importância do envolvimento dos diferentes setores como “condição essencial da nova fase da eliminação do paludismo” no arquipélago e fez um apelo às câmaras, às associações e aos setores do governo para trabalharem neste sentido.

Apelo reforçado pelo presidente da Assembleia Nacional, José Diogo, na abertura da sessão, por causa dos ganhos que representa ao poupar a vida das pessoas e consequentemente “refletir de forma positiva na economia nacional, através da diminuição do índice de absentismo no trabalho e nas escolas”.

Com a avaliação feita, as lições aprendidas, as recomendações apresentadas, e as orientações estratégicas definidas, o país tem uma base sólida para orientar a sua política e elaborar o próximo plano estratégico com a visão incontornável para a eliminação do paludismo.

Um memorando deverá ser assinado proximamente pelo governo e parceiros para a concretização dessa visão.

JR/e-global

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