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Patrice Trovoada quer reorientar política externa de STP

O primeiro-ministro santomense justificou em conferência de imprensa a rotura das relações diplomáticas com Taiwan, através do reconhecimento da “existência de uma só China, representada no Direito Internacional pela República Popular da China” para “reequilibrar e reorientar alguns aspetos” da política externa do arquipélago.

Para Patrice Trovoada é evidente que o reconhecimento deste princípio “poderá abrir a porta para o restabelecimento das relações diplomáticas com a República Popular da China”.

«As relações internacionais e o cenário internacional de há 20 anos atrás não é o mesmo de hoje. A República Popular da China hoje é o maior parceiro bilateral do continente africano com uma relação estratégica muito importante com a União Africana de que nós fazemos parte. A República Popular da China é a segunda economia mundial, é membro permanente do Conselho de Segurança e, como eu digo, há uma evolução no contexto internacional que faz com que os interesses do nosso país, não podem ser preservados com uma política de discriminação, sobretudo de um Estado que tem esse peso e essa presença na cena mundial», disse.

«A República Popular da China coopera no quadro do Fórum Macau com todos os países membros da CPLP. São Tomé e Príncipe não pode discriminar e não pode ser discriminado, sobretudo porque a nossa visão de desenvolvimento passa por abertura, cooperação com todos, passa pelo posicionamento de São Tomé e Príncipe como uma plataforma de serviços no golfo da Guiné. A República Popular da China tem uma troca comercial de 200 mil milhões de dólares para o continente africano todos os anos. E mesmo com STP, depois de Portugal, a República Popular da China é o país com quem temos maiores trocas comerciais. Precisamos de reposicionar STP no contexto global», acrescentou o chefe do governo.

O processo de transição será de 30 dias. Trovoada garantiu que foram acautelados aspetos relacionados com a permanência dos estudantes santomenses que estão em Taiwan, bem como os diversos projetos em curso nos domínios da Saúde, Energia e Agricultura, entre outros.

«Tomamos isso tudo em consideração. Dentro de alguns dias tornaremos público os mecanismos que nós temos, primeiro para essa fase de transição e depois, eu creio é função do governo que dirige uma economia dependente do exterior de encontrar alternativas», afirmou.

Para o chefe do executivo santomense explicou a “inflexão” feita com a atual “dinâmica mundial que está a levar cada vez mais ao nacionalismo e ao protecionismo. Significa que o peso das organizações multilaterais, cujo princípio é um país, um voto, é cada vez menor. Por isso temos de tomar em consideração os pesos específicos de grandes potências mundiais, dos grandes centros de decisão para poder posicionar uma ilha pequena, isolada e sem grandes recursos. Uma coisa são os sentimentos e outra coisa é a real politik, os interesses do país e do Estado”.

Patrice Trovoada acabou por fazer o que o ex-presidente da República já defendia. Durante a campanha para as presidenciais, Pinto da Costa acusou o governo de Patrice de bloquear as iniciativas de empresários chineses que manifestaram interesse em investir em São Tomé e Príncipe.

Circulam informações, segundo as quais, grupos chineses manifestaram disponibilidade de, por exemplo, entrar com parte de financiamento para a construção do porto de águas profundas em Fernão Dias, considerado um dos projetos estruturantes para o país.

 

Reação do governo taiwanês

Para Taipei a decisão do executivo de Patrice Trovoada em cortar as relações bilaterais, pode ter razões financeiras. «O governo de São Tomé e Príncipe, no entanto, com dificuldades financeiras excessivas, e exigências para além daquelas que a República da China – Taiwan, poderia atender, ignorou 20 anos de relações diplomáticas amigáveis», diz um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros taiwanês.

De acordo com diversas fontes, o executivo santomense teria pedido entre 100 e 200 milhões de dólares e o governo taiwanês recusou, por considerar que a aplicação do montante não iria contribuir para o desenvolvimento do país.

O processo de retirada já começou. «A República da China-Taiwan vai fechar a sua embaixada em São Tomé e Príncipe, recolher sua missão técnica, e acabar com todos os projetos de cooperação bilateral», sublinha o comunicado.

O governo de Taiwan lamenta profundamente a decisão as autoridades santomenses em cortar as relações bilaterais, que foram estabelecidas em Maio de 1997, através de uma decisão do então presidente da República, Miguel Trovada, pai do atual primeiro-ministro, que também esteve envolvido naquelas negociações.

Por outro lado, o chefe do governo prometeu que outras decisões relacionadas com a política vão ser tomadas proximamente, nomeadamente as que têm a ver “com a nossa integração regional e a nossa participação em algumas organizações internacionais”.

Entretanto, os principais partidos da oposição disseram a e-global que deverão dar a conhecer a sua posição sobre a decisão do governo de cortar as relações diplomáticas com Taiwan nas próximas horas.

 

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