PCD chumba desempenho do governo

Em 2016, o governo não foi capaz de transformar a sua promessa num “programa de governação congregador e mobilizador das sinergias” viradas para o desenvolvimento nacional. A avaliação é do segundo maior partido da oposição, PCD, quando o seu líder, Arlindo Carvalho, fez o balanço sobre a situação do país.

Para o Partido de Convergência Democrática (PCD), testemunhou-se em 2016, “ações de exclusão, bem como atos que contribuem para desagregar os laços de unidade nacional pacientemente construída por gerações”.

O PCD passou em revista a gestão governativa, a situação económica, financeira e social, bem como o desempenho da justiça, o aumento da onda da criminalidade e a censura nos Media estatais. Avançou, em contrapartida com algumas propostas.

No que respeita à atuação do governo, após a “venda de sonhos” das legislativas de 2014 pelo partido Ação Democrática Independente, associado à vontade da população em ver resolvidos os seus principais problemas, o resultado é que o “país está bloqueada”.

Os convergentes democráticos explicam o bloqueio com a “incapacidade” do atual governo em dar resposta às preocupações dos cidadãos. As organizações estatais e a administração pública foram tratadas como “despojo da guerra eleitoral”. A remodelação governamental apenas serviu para o primeiro-ministro reforçar o seu poder pessoal ao afastar aqueles que no seu governo manifestavam “maior liberdade intelectual”.

O PCD admite que houve algumas realizações “aqui e ali”, dignas de pequenas autarquias, porém “não existe da parte do atual governo um plano de desenvolvimento nacional”.

Empresários nacionais estão “abandonados à concorrência de grandes empresas e sem qualquer política de incentivos” que os ajude a crescer. A maioria está cada vez mais pobre e descapitalizada e para “piorar a situação, a dívida do Estado para com muitas delas não tem sido saldada”.

Na função pública, os trabalhadores “viram os seus salários líquidos serem reduzidos, devido ao aumento da carga fiscal sobre os rendimentos de trabalho, o aumento de preços dos produtos de primeira necessidade e o atraso sistemático no pagamento de salários”.

O partido da oposição acrescenta que o sistema judiciário “não consegue dar resposta às ingentes solicitações de Justiça cooperando, muitas vezes, para o desrespeito dos direitos, garantias e liberdades dos cidadãos”. A insegurança cresce com “novas formas de crimes e cada vez mais violentos” e a censura tornou-se uma “forma natural de governação afetando particularmente a oposição e as vozes dissonantes ao do poder”.

A situação económica e financeira “deteriora-se vertiginosamente” e a conjuntura é apontada como a “única culpada” da situação. De acordo com o presidente do partido, “a pobreza atingiu cerca de 60% da população, aumentou na cidade e no campo e as condições de vida se agravaram para uma larga maioria”.

Perante este cenário, “a população foi-se contentando com a distribuição generosa de sorriso e o país se transformando em placa giratória do chefe do governo, a base das suas viagens, que mais prejuízos do que benefícios trouxeram para o país”, sublinhou Arlindo Carvalho. E perante um país fortemente dependente da ajuda externa, “nenhum parceiro que se preze aumentaria os apoios face a esse sinal de desrespeito para com o povo e de despreocupação para com o interesse público geral”, acrescentou.

 

O PCD teve igualmente o cuidado de recordar as ações do governo anterior, nomeadamente nos domínios de energia e água, bem como a mobilização de fundos e apoios multilaterais obtidos no quadro da Agenda de Desenvolvimento Sustentável, que o atual executivo está a beneficiar na concretização de alguns projetos.

Contudo, o PCD deixou algumas propostas. Por exemplo, em matéria do emprego jovem, o partido indica que “sejam adotadas políticas voltadas para o empreendedorismo jovem, formação e especialização técnicoprofissional, para o incentivo ao primeiro emprego e uma engenharia financeira que facilite o acesso ao crédito ao setor privado”.

No que respeita à deterioração do poder de compra dos funcionários públicos, os convergentes democráticos consideram que é “urgente” encontrar “formas mais justas de arrecadação de receitas”. Quanto ao combate à criminalidade, “a educação para valores revela-se de extrema importância”.

O PCD através do seu presidente, exortou os seus membros, simpatizantes e a sociedade em geral “a assumir uma atitude responsável, unificadora, pautada pela busca de soluções legítimas e transparentes para os problemas que afetam o país, bem como por um comportamento social exemplar e uma conduta ética que reforce a coesão social e cultive a autoestima e o orgulho de ser santomense”.

O PCD manifestou o desejo de, em 2017, ver São Tomé e Príncipe “afirmar-se como um país exemplarmente reconhecido por todos no concerto das nações”.

 

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