São Tomé e Príncipe

Consumo de drogas entre jovens é preocupante

A prevalência de consumo e experimentação de drogas em adolescentes é preocupante, conclui o estudo sobre a prevalência de consumo de substâncias psicotrópicas em adolescentes e jovens nas Escolas Secundárias dos distritos de Água Grande, Mé-Zochi e Lembá, bem como na Região Autónoma do Príncipe.

Os autores recomendam que é “importante detetar precocemente grupos de riscos e desenvolver políticas de prevenção do abuso e dependências dessas substâncias”, lê-se no documento validado recentemente e que e-global teve acesso.

«Droga lícita ou ilícita é um problema de saúde pública que afeta milhares de pessoas de todas as faixas etárias. Este é um problema de ordem social, a partir do momento em que suas consequências alcançam níveis quantitativos assustadores. Ações preventivas no âmbito escolar deve ser uma aposta para diminuir o fluxo de consumo de drogas, sejam lícitas como ilícitas», lê-se ainda no estudo.

Os resultados mostraram que o consumo de droga tem estado a aumentar acentuadamente durante a adolescência, tanto entre os rapazes como entre as raparigas.

Do universo dos jovens e adolescentes inquiridos ficou demonstrado que 21,8%  rapazes e 21,4% raparigas consumiram alguma bebida alcoólica e 3,8% já tinham experimentado cigarros, com grande incidência no sexo feminino.

Em contrapartida, o consumo de droga ilícita foi raro: 3,6%, particularmente no início da adolescência. Apesar de a percentagem ser bastante reduzida, “não deixa de ser preocupante” para São Tomé e Princípe. Do mesmo modo, poucos adolescentes referiram ter um envolvimento intenso no consumo de droga.

No conjunto, estas taxas de prevalência são inferiores às encontradas em investigações realizadas noutros países.

«Uma outra conclusão interessante deste estudo é que existe uma relação moderada ou forte entre o consumo de droga e os inquiridos da Escola Secundária Maria Manuela Margarido, 1%. Tais resultados parecem fornecer uma confirmação, parcial, da hipótese, segundo a qual o consumo nos inquiridos do sexo masculino é mais alto, sendo 24,2% consumo de drogas lícitas contra 22,9% do sexo feminino e 2,8% do consumo de drogas ilícitas do sexo masculino contra 1,6% do consumo de drogas ilícitas dos inquiridos do sexo feminino», revela o documento.

Por último, não se estabeleceu uma correlação “altamente significativa” entre o consumo de droga e problemas emocionais ou outras variáveis sociodemográficas, como o género ou nível educativo dos pais.

Provavelmente estes resultados enquadram-se no cenário global que se vive no país, que é um dos maiores importadores de bebidas alcoólicas entre os países africanos de língua portuguesa.

O recurso ao álcool constitui uma das formas de escapar aos problemas sociais. Tanto o fabrico como a importação de bebidas alcoólicas vem aumentando de uma forma vertiginosa sem controlo das autoridades competentes. A sua maior disponibilidade no mercado atraiu o consumo, além da constante publicidade bombardeada pela única televisão estatal em horário nobre a que toda a franja da sociedade santomense tem acesso.

«Assiste-se em quase todo o país a um consumo de bebidas alcoólicas e substâncias psicoativas com consequências na alteração de padrões de comportamento, e que, sem dúvida representam uma ameaça para a Saúde Pública e principalmente o bem-estar e qualidade de vida dos adolescentes e jovens», diz o documento.

Por outro lado, o consumo de droga transformou-se num dos principais problemas a nível global, cujo combate tem merecido a atenção de todos. A sociedade santomense à semelhança das outras está em constante transformação e, como é óbvio, o desenvolvimento de qualquer sociedade arrasta consigo alguns efeitos nefastos, sobretudo para a população mais desfavorecida.

Pretende-se que os dados recolhidos no estudo realizado pelo Instituto da Droga e Toxicodependência do Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos com o apoio da Unicef ajudem na elaboração de uma estratégia em matéria de prevenção de combate à droga nas escolas e contribuam para que os profissionais da Justiça, da Saúde e da Educação tenham melhor visão sobre o fenómeno na tomada de decisão, para travar o consumo e uso destas substâncias.

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