São Tomé e Príncipe celebrou o 46.º aniversário da Independência Nacional

São Tomé e Príncipe celebrou o 46.º aniversário da Independência Nacional ainda no contexto pandémico e em ambiente de campanha eleitoral para as eleições presidenciais do próximo domingo.

As eleições, a pandemia da Covid-19, a crise de valores e a reforma “profunda” da Justiça marcaram a mensagem do presidente da República. Foi a última celebração de um aniversário da independência presidida por Evaristo Carvalho que aproveitou para fazer o balanço dos cinco anos do seu mandato, porque não se recandidatou a sua própria sucessão.

«Não me recandidatei, porque entendi que é tempo de passar o testemunho a gerações mais jovens, capazes de imprimir novas dinâmicas. As gerações dos novos tempos, provavelmente mais promissoras, em termos de energia e criatividade», justificou.

O chefe de Estado que estará em funções até 3 de Setembro admitiu que a sua decisão não lhe permitirá, “através do veredicto das urnas, qual o grau de satisfação da população” em relação ao seu desempenho. Segundo Evaristo Carvalho, “foi com os olhos postos na busca de Entendimento Nacional” que primou pela “busca incessante da convivência pacífica e harmoniosa entre os órgãos de soberania, isto é, pela estabilidade político-institucional”.

«Nem sempre fui bem compreendido por alguns cidadãos, que entendiam que eu devia tomar decisões mais drásticas em determinados momentos críticos. Tenho, porém, a plena consciência de que fiz o que foi necessário fazer, em prol da estabilidade. Os múltiplos problemas do país não se compadecem com situações de instabilidade politico-governativa», sublinhou.

O presidente da República disse ainda que elegeu a Justiça como “uma das bandeiras” do seu mandato. Denunciou o que qualificou de “atropelos reinantes nesse importante setor da vida nacional” e apelou ao “bom senso nesse importante e ao cumprimento estrito das leis, por parte dos agentes do setor”. «Se estas não são respeitadas por esses agentes, os cidadãos e os potenciais investidores não terão confiança na justiça, comprometendo assim o desenvolvimento», vincou.

Na sequência, instituiu em 2019, o Fórum de Concertação sobre a Justiça, com a participação das altas autoridades do Estado e dos responsáveis máximos do setor e assessoria técnica das Nações Unidas. «Deu-se início a um processo de reforma, que esperemos venha a dar frutos a médio e longo prazos», indicou.

Passados quarenta e seis anos após a independência, Evaristo Carvalho exortou aos santomenses a continuarem a acreditar. «A esperança requer perseverança, isto é, acreditar que é possível, mesmo havendo indicações noutro sentido», disse.

Entretanto, é fundamental resgatar os valores do Respeito, da Disciplina e do Trabalho, “tarefa urgente e transversal a toda a sociedade” . «País nenhum se desenvolve, tendo a sociedade mergulhada num crise de valores tão profunda. (…) Não iremos longe, enquanto persistir o desrespeito, a indisciplina, a desordem, o roubo desenfreado e a corrupção na Administração e na sociedade em geral», refletiu.

«Ousarei dizer, que a perda dos valores morais tem estado na base do insucesso em matéria de desenvolvimento de São Tomé e Príncipe. Governo nenhum consegue governar com sucesso num clima desses», reiterou Evaristo Carvalho.

O país está em plena campanha eleitoral e o mundo tem os olhos postos em São Tomé e Príncipe. Por isso, o presidente da República deixou um recado: «Devemos dar provas da nossa capacidade de realizar atos eleitorais com dignidade e lisura e da nossa disponibilidade para aceitar os resultados saídos das urnas, sejam eles quais forem. Basta que as instituições envolvidas, as candidaturas, os partidos políticos e os cidadãos assumam as suas responsabilidades».

O ato central, no anfiteatro do Palácio dos Congressos, decorreu sob medidas restritivas. Responsáveis de Órgãos de Soberania, o presidente da Assembleia da República da Guiné Equatorial, Gaudêncio Mohaba Mesu, membros do corpo diplomático, representantes de confissões religiosas e convidados assistiram ao ato central marcado por momentos culturais e também pelo discurso do presidente da câmara de Água Grande.

O governo surpreendeu Evaristo Carvalho com um diploma de mérito pelos serviços prestados ao país.

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