São Tomé e Príncipe

São Tomé e Príncipe: Trabalhadores da HBD preocupados com a falta de pagamento de salários

Cerca de duas dezenas de trabalhadores da HBD estão insatisfeitos com o atraso no pagamento dos seus salários. Com a pandemia, a empresa do milionário sul-africano, Mark Shuttleworth, que tem investimentos turísticos na ilha do Príncipe, teve que encerrar as portas.

Os manifestantes gritavam diante do palácio do governo regional: “Queremos o nosso dinheiro”.

«Desde o início do lay-off, o Estado pagou os primeiros três meses. Entretanto, HBD pagou os 85% de julho e agosto, apesar de o Estado não ter posto o dinheiro na conta deles. A partir de setembro, decidiram não pagar, enquanto o Estado não honrasse os seus compromissos. Fomos informados que no dia 30 de setembro o Estado pagaria os 85%, o que não aconteceu até agora. Setembro e outubro recebemos apenas 15% do salário», explicou o porta-voz dos trabalhadores.

O presidente do governo regional recebeu a comissão de manifestantes e informou-lhes que tudo estava a ser feito pelo Estado de forma a cumprir com o prometido.

«Vamos esperar uma semana para saber se os 85% caem correspondente ao mês de setembro. Depois vamos reunir com o presidente para saber o que será do mês de outubro. Esta é a nossa posição. Não vamos parar», declarou Alexander Cunha.

Entretanto, a e-global apurou que HBD adiantou o pagamento do mês de setembro, que o Estado devia fazer.

Também por falta de pagamento dos salários, as aulas nos polos do ensino universitário público iniciaram com duas semanas de atraso.

Os docentes contratados decidiram denunciar a situação em que se encontravam, após várias diligências feitas junto das autoridades, desde agosto passado, mas que não tiveram efeito.

A reitoria, através de uma circular, orientou os docentes para realizar as aulas à distância entre abril e junho. As aulas presenciais foram retomadas a 1 de julho. Porém, o reitor tinha feito antes uma explanação que foi submetida a todos os professores a dar o ponto de situação. Na ocasião, os docentes contratados já tinham solicitado como seria a questão dos pagamentos do período das aulas à distância. Como forma de pressão, alguns professores não entregaram as notas das provas finais.

«Este período pandémico tem sido difícil para todos nós, uma luta muito árdua. As pessoas não dão informações. Pedimos uma audiência junto ao gabinete da ministra [da Educação], mas não conseguimos. Fizemos uma carta reivindicativa, apresentando as nossas preocupações à ministra. Depois de muita luta é que conseguimos uma resposta, mas que não satisfaz às nossas preocupações, porque não dizem respeito aos professores eventuais da Universidade», explicou Inácia Viegas.

«Foi-nos pago 50% dos salários de abril a julho, faltando outra metade do mesmo período e ainda os 100% do mês de agosto. Como é natural, os professores fizeram o seu trabalho com muitas dificuldades, como devem calcular. Nós não estávamos preparados para esse trabalho, mas foi feito. Estou convencida que houve sucesso, porque só dessa forma é que se conseguiu concluir o ano letivo. Nós elaboramos relatórios circunstanciados e estamos indignados com a atitude do governo», completou Paloma Santos.

Depois da denúncia pública, a ministra de Educação e Ensino Superior recebeu a comissão dos professores e prometeu que se ia encontrar uma solução para pagar os salários em atraso.

Para Julieta Rodrigues, não foi esta a razão principal do atraso no início das aulas, mas porque estavam no processo de recrutamento de professores. Nesse interregno as informações eram contraditórias. Por exemplo, que os docentes em idade de reforma já não poderiam lecionar, depois houve recuo nessa orientação.

Os três polos da Universidade de São Tomé e Príncipe, USTP, já estão em pleno funcionamento. A e-global apurou que várias dezenas de estudantes não puderam matricular-se por falta de espaço físico para dar resposta à demanda.

© e-Global Notícias em Português
Comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Topo