STP: A diretora da PJ Maribel Rocha, constituída arguida pelo MP no caso de desvio de drogas na instituição

A diretora da Polícia Judiciária foi constituída arguida pelo Ministério Público, no processo de desvio de catorze (14) cápsulas de cocaína e que foram encontradas na posse do nigeriano Txukuma, porque era a detentora única da chave do cofre-forte onde as drogas estavam armazenadas, apurou a e-Global, junto de fontes judiciais.

Maribel Rocha está sob termo de identidade e residência. A secretária da responsável da PJ e uma encarregada de limpeza também estão em idêntica situação.

As investigações apontam que a diretora da instituição teria entregado a chave várias vezes ao seu chefe do departamento. Foi acionada a cooperação internacional, nomeadamente a portuguesa, para ajudar a clarificar o caso, por falta de condições internas, entre os quais laboratórios especializados, para fazer certas peritagens.

Até agora, pelo menos oficialmente, não foi decretada a suspensão de Maribel Rocha, pela ministra da Justiça, Ivete Correia, até a conclusão das investigações.

Porém, o agente da PJ, Tony Leal, que supostamente entregou a droga ao nigeriano Txukuma para comercialização, foram os que estiveram na tarde desta segunda-feira diante do juiz de instrução.

Segundo um comunicado de imprensa emitido no fim de semana pela Judiciária, Txukuma foi apanhado “em flagrante delito na posse de drogas” na sua residência na Vila Dolores, juntamente com sua esposa santomense e um outro nigeriano, vulgarmente conhecido por Jeff.

Cada cápsula dessa cocaína pura ronda 2 mil euros no mercado. Se fragmentada e misturada com outros aditivos para consumo, cada dose custa aproximadamente 10 euros.

A e-Global apurou que a quantidade desviada fazia parte de um lote de 86 cápsulas apreendidas pela PJ, no ano passado, numa operação que envolveu um brasileiro, que as transportou dentro do seu organismo. O tal brasileiro, que chegou num voo da TAP, conseguiu fugir do país.

Em condições normais, essas drogas deveriam ter sido destruídas, entenda-se, incineradas perante um juiz, depois da instauração do processo. O remanescente da cocaína, que estava no cofre-forte da PJ, foi finalmente destruído nas últimas horas.

Mas a Polícia Judiciária justificou o armazenamento do estupefaciente com a “conclusão e transitado em julgado” do processo.

A PJ afirmou também no seu comunicado que “foi surpreendida na tarde de sábado, 29 de agosto, cerca das 16h 30, com um expediente do Ministério Público, que forçou a Polícia Judiciária a fazer a entrega de todo o processo e dos citados detidos, sem que tivesse sido detido o outro suspeito acusado pelo Txukuma e concluída a investigação”.

Como arguida, Maribel Rocha deveria ter evitado abrir uma investigação paralela, que alguns consideram como uma espécie de “fuga para a frente”, na medida em que já estava a ser feita por outras instâncias competentes. Tudo indica que a ação do Ministério Público, reclamada pela PJ, foi para parar com esta ilegalidade.

O primeiro-ministro reuniu-se esta segunda-feira com o Procurador-Geral da República. Depois do encontro com Jorge Bom Jesus, Kelve Nobre de Carvalho não prestou qualquer declaração à imprensa.

Supõe-se que o principal assunto analisado tenha sido este imbróglio que envolve a diretora da PJ e outros funcionários da instituição neste dossiê. A ministra da Justiça também participou na audiência.

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