STP: A “nova maioria” exorta ADI a ir para oposição

O MLSTP-PSD e a Coligação PCD/UDD-MDFM exortaram ao ADI a aceitar a “nova correlação de forças e se remeta à oposição”. Instaram igualmente, ao presidente da República, Evaristo Carvalho, a “interpretar corretamente” a “decisão soberana” ditada nas urnas pelo povo e evitar que o país entre num ciclo de instabilidade sem precedentes”.

«Tendo perdido oito dos 33 deputados que possuíam e quatro das cinco câmaras que detinham, ficou claro, aos olhos da população santomense e da comunidade internacional que o ADI foi o grande perdedor destas eleições», dizem as duas formações políticas em comunicado lido, pelo líder da Coligação.

“Neste contexto, espera-se que o presidente da República entenda claramente essa mensagem do povo e aja em conformidade, evitando de forma responsável que o país entre num ciclo de instabilidade sem precedentes”, acrescentou Arlindo Carvalho.

O líder da Ação Democrática Independente (ADI), vencedor das eleições legislativas com maioria simples em São Tomé disse após regressar ao país que o seu partido ia formar governo minoritário, caso não haja entendimento para um executivo de base alargada. No fim de semana, o Conselho Nacional recomendou também ao partido a formar governo mas, ao mesmo tempo, a prosseguir as negociações com outras forças políticas.

A propósito, Patrice Trovoada disse numa entrevista telefónica a uma agência de notícias portuguesa que estava em negociações “oficiosas” com outros partidos.

O líder do MLSTP/PSD desmentiu. “Neste momento, não existe nenhuma negociação “oficial, semioficial, oficiosa ou secreta com o ADI”.

«Nós achamos que o diálogo é importante. Mas neste momento, a bola – e passe a expressão – está nas mãos do presidente da República, que deveria ter um impulso desse diálogo, auscultando os partidos políticos, com vista à formação do próximo governo», sublinhou Jorge Bom Jesus.

Entretanto, as duas formações políticas que assinaram um acordo de incidência parlamentar e se constituíram numa nova maioria reafirmaram que o país “está sem norte” e a situação económica e social agrava-se dia a dia.

Como exemplo, referiram-se à crise de energia que “provoca paralisação dos serviços públicos e agrava o empobrecimento da população em geral, assim como dos pequenos empresários que teimam em sobreviver”.

«A situação refletiu-se no setor da saúde onde para além da falta de água, os cirurgiões viram-se obrigados a efetuar uma operação a luz de telemóveis”, lamentaram.

A nova maioria acusou, por outro lado, o Ministério Público de “postura de parcialidade” ao anunciar a constituição de 20 cidadãos em arguidos no caso de alegado golpe de estado contra o presidente da República.

«Podemos estar de novo perante uma cabala política do ADI, quando estranhamente vem ao público um comunicado inédito da Procuradoria-Geral da República, dando conhecimento da existência de arguidos envolvidos num alegado golpe de Estado contra o presidente da República», diz o comunicado.

Porém, o MP “mantém, até hoje, silêncio sobre a denúncia publicamente feita pelo senhor Peter Lopes acerca do envolvimento de Patrice Trovoada, enquanto mandante, numa conspiração que visava aniquilar fisicamente os ex-presidentes da república, Manuel Pinto da Costa, Fradique de Menezes e o ex-ministro da defesa Óscar Sousa”, acrescenta.

A nova maioria assume-se hoje, de “forma inquestionável, como alternativa e reitera a sua disponibilidade de assumir a governação, no cumprimento da vontade popular expressa inequivocamente nas urnas”, sublinham.

Por isso, não têm medo de ir a Assembleia Nacional no dia 22 do corrente mês para “eleger o novo presidente da Assembleia, até porque o governo é a emanação da Assembleia Nacional”, asseverou o líder do MLSTP/PSD.

Bom Jesus deixou um alerta: “Desenganem-se aqueles que pensam que a história de 2010 vai-se repetir. Que o ADI, em minoria conseguiu eleger o presidente da Assembleia, curiosamente era o atual presidente da República, Evaristo Carvalho”.

Carlos Neves, um dos dirigentes da Coligação, denunciou que o ADI “tem estado numa ofensiva para comprar pessoas. Tem feito ofertas de carros zero quilómetro, de dinheiro, mas muito dinheiro, como se os deputados fossem mercadorias. Temos deputados nossos que foram contactados. Isso não pode ser aceite numa democracia que se quer moderna, se queremos construir um país civilizado, que possa estar no desenvolvimento pleno de todas as suas potencialidades. Isso tem que ser liminarmente rejeitado”.

Deixe uma resposta




Artigos relacionados

Guiné-Bissau: Governo extingue feriados nacionais e é acusado de violar a lei e a história

Guiné-Bissau: Governo extingue feriados nacionais e é acusado de violar a lei e a história

O Governo guineense através do Decreto nº 1/2023 de 19 de Janeiro determinou que 23 de Janeiro, outrora dia dos…
Moçambique: MONARUMO defende isenção do IVA para água e energia

Moçambique: MONARUMO defende isenção do IVA para água e energia

O Movimento Nacional para Recuperação da Unidade Moçambicana (MONARUMO) comentou a recente diminuição do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA),…
Angola garante usar 77% de energia renovável até 2027

Angola garante usar 77% de energia renovável até 2027

O chefe de Estado angolano, João Lourenço, assumiu o compromisso de o país usar 77% de energia renovável até 2027. …
Cabo Verde: Turismo e privatizações financiam fundo contra pobreza extrema

Cabo Verde: Turismo e privatizações financiam fundo contra pobreza extrema

O turismo e privatizações em Cabo Verde decidiram financiar o fundo MAIS, definido pelo Governo e criado com o objetivo…