São Tomé e Príncipe

STP com o laboratório PCR que chegou o país vai ter o quadro epidemiológico mais realista

Instalar o laboratório e acondicionar o Hospital de Campanha são as atividades prioritárias das próximas duas semanas da equipa médica mobilizada pela OMS que chegou a São Tomé no último fim de semana no voo humanitário da União Europeia.

A informação foi avançada pelo especialista da OMS em gestão de emergências de saúde pública, proveniente de Genebra.

«Estamos aqui para trabalhar. Com os colegas do INEM vamos começar com o laboratório. A prioridade é o laboratório e o hospital de campanha», disse.

O coletivo do Instituto Nacional em Emergência Médica de Portugal é composto 1 médico, 2 enfermeiros intensivistas e um especialista em logística.

Jean-Pierre Veyrenche acrescentou que a coordenação com o Ministério da Saúde poderá definir outras ações.

«Vamos coordenar com o Ministério da Saúde, fazer uma avaliação das necessidades para se ter ideias mais precisas»

Das 20 toneladas que foram desembarcadas, 12 são materiais médico-hospitalares adquiridos pela OMS, dentre os quais se destaca o laboratório para realizar os testes de PCR para rastreio ao COVID-19, 10 ventiladores e diferentes equipamentos de proteção individual, além de medicamentos e os produtos necessários para a colheita e análise dos testes, que vão ser entregues ao governo para apoio à resposta. A agência das Nações Unidas investiu 314 mil dólares na sua aquisição.

A UE suportou todos os custos de transporte desta operação, tendo sido Portugal e a OMS responsáveis pela mobilização de pessoal humanitário e a logística. A ponte aérea humanitária foi coordenada entre a UE e os seus Estados-Membros, confirmou Albert Lousseau, coordenador da União Europeia em São Tomé e Príncipe.

O laboratório para análise PCR era o equipamento esperado, há algum tempo, para o país ter o panorama epidemiológico mais rigoroso, como destacaram alguns intervenientes envolvidos na operação, nomeadamente a coordenadora do sistema das Nações Unidas.

«O laboratório que acabou de chegar vai permitir ao país ter um maior controle da situação e assim podemos responder de uma maneira mais forte à pandemia da Covid-19», admitiu Zahira Virani.

Para a ministra dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades, este equipamento vai fazer toda a diferença.

«A presença de um laboratório PCR em São Tomé faz toda a diferença. Devia ter acontecido há muito tempo, mas por razões de logística nós não conseguimos. E hoje, este equipamento permitirá fazer um rastreio completo e, sobretudo, estabelecer um quadro epidemiológico fiável em São Tomé e Príncipe a partir de agora», sublinhou Elsa Pinto.

A chefe da diplomacia santomense agradeceu todos os que “contribuíram para que este voo pudesse ter lugar com êxito”. Destacou o papel do Sistema das Nações Unidas que trabalhou “durante semanas em colaboração com o governo” para a vinda dos equipamentos e, em particular da OMS, também “pelo envio de uma equipa médica com vários especialistas”.

O Sistema das Nações Unidas está engajado no apoio à resposta do país à pandemia e em colaboração com os demais parceiros.

«Várias agências das Nações Unidas, incluindo especialmente a OMS, mas também UNICEF, FNUAP e o PNUD, estamos a trabalhar para que esse apoio chegue a São Tomé. Neste momento da pandemia, nós todos temos que trabalhar juntos. A equipa do INEM que chegou foi contratada pela OMS, mas são portugueses e vieram num voo financiado pela UE. Estamos a trabalhar juntos com o governo de São Tomé e Príncipe», referiu Zahira Virani.

Esta doação enquadra-se no suporte técnico e material das Nações Unidas no arquipélago, que visa contribuir para o reforço da capacidade de resposta de São Tomé e Príncipe aos impactos da COVID-19 e mitigar a propagação do vírus no arquipélago. Está avaliado em 4 milhões de dólares.

A governante santomense manifestou ainda o apreço ao governo português e à União Europeia por terem permitido que “os nossos equipamentos viessem neste voo humanitário”.

Elsa Pinto reconheceu também que a pandemia de coronavírus trouxe algo muito importante para muitos países e povos. Despoletou uma onda de solidariedade que estava adormecida desde a II Guerra Mundial.

«Os santomenses que estão na diáspora também desempenharam um grande papel. Foi uma onda solidária muito importante de vários grupos, associações e pessoas anónimas. Nós gostaríamos de deixar o nosso muito obrigado a todos e a todas santomenses que de forma individual ou coletiva colocaram neste voo equipamentos para ajudar no combate à Covid. Uma palavra de apreço também aos Médicos Sem Fronteira que colocaram medicamentos para apoiar São Tomé e Príncipe. Todos trabalharam arduamente para que este voo acontecesse», agradeceu.

Lamentou, porém, “a manipulação política” que tem sido feita para provocar agitação. “A Covid existe. Importa que sejamos solidários, crentes e amigos uns dos outros. Nesta guerra precisamos falar todos a mesma linguagem. Vencer a Covid tem que ser com a força de todas e todos os santomenses com amizade e paz”, reiterou.

Cerca de 200 cidadãos europeus em São Tomé e Príncipe regressaram aos seus países de origem no voo humanitário da União Europeia, o primeiro do género realizado para o arquipélago, que transportou também amostras para serem analisadas em Portugal.

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