São Tomé e Príncipe

STP Covid-19: Governo anuncia medidas mais severas

174 casos confirmados de coronavírus em São Tomé e Príncipe até agora, segundo o boletim epidemiológico divulgado na tarde desta segunda-feira. Nas últimas 24 horas, mais 4 casos deram positivo, dos 22 testes rápidos realizados. Vêm somar aos 161 infetados resultantes das 213 amostras enviadas para o Gana para análise PCR. Até sábado último, o país tinha oficialmente 26 infetados. A pandemia já matou 3 santomenses. O estado de emergência sanitária foi prorrogado por mais duas semanas, até 16 de maio.

Entre os positivos, 26 são da ilha do Príncipe. Fazem parte das 42 pessoas que regressaram aquela ilha na quinta-feira passada e que estão em quarentena obrigatória.

Segundo a diretora dos Cuidados da Saúde, Feliciana Pontes, 4 estão recuperados, 9 em internamento hospitalar, 12 em isolamento domiciliar.

Além da existência de 7 pacientes Sintomáticos Respiratório”, 94 estão em contacto de seguimento.

Face ao “novo quadro epidemiológico”, o Conselho de Ministros reuniu-se e anunciou medidas de resposta mais severas, que entram em vigor na prózima 4.ª feira, dia 6.

O confinamento geral de toda a população é “obrigatório” em todo o território nacional, “com exceção de saídas para compras rápidas e situações de emergência médica, sob pena dos infratores incorrerem em crime de desobediência”.

A medida “não abrange os funcionários dos setores essenciais, as missões diplomáticas, trabalhadores por turno e prestadores de serviços no setor alimentar, que deverão ser portadores de uma credencial para o efeito”, diz o comunicado lido pelo ministro da presidência do Conselho de Ministros

Wuando Castro referiu-se ao “encerramento de todos os serviços públicos e privados não essenciais. Os serviços públicos considerados essenciais continuarão a funcionar em horário único das 7:30h às 13h, com pessoal reduzido, com exceção dos profissionais da saúde e da comunicação social, bombeiros e das forças de defesa e segurança pública”.

As lojas comerciais de venda de bens alimentares e produtos de higiene, supermercados, padarias, restaurantes em regime de take away, farmácias, bombas de combustíveis, bancos comerciais e serviços de telecomunicações, “passam a funcionar das 8h às 15h, observando todas as medidas sanitárias em vigor”.

Os mercados municipais estão abertos entre as 5h e 15h, com a “presença reduzida de feirantes, de forma a se evitar a aglomeração de pessoas e a observância da distância sanitária exigida”

Por outro lado, o Ministério da Saúde irá prosseguir com a “testagem massiva da população e a mobilizar todos os profissionais da saúde nacionais, do setor privado e os que não se encontram no ativo, para darem o seu contributo nesta grande causa nacional”.

A e-global apurou que cerca de duas dezenas de profissionais de saúde foram declarados positivos para a Covid-19.

Neste contexto, a ministra dos Negócios Estrangeiros, por seu lado, deverá “acelerar os contactos com os parceiros internacionais no sentido de reforçarem a nossa capacidade de resposta, com o envio de equipas médicas especializadas para se juntarem às equipas nacionais”.

O abastecimento com produtos agrícolas e pesqueiros aos grandes centros urbanos obedece a normas apresentadas pelo Ministério da Agricultura e “os funerais das vítimas da COVID-19 devem ser em “estrita observância dos protocolos da OMS”, controlados pelo Ministério da Saúde.

«Nesta luta, o uso de máscaras em todos os espaços públicos, a higienização constante das mãos e a observância do distanciamento social continuam a ser as melhores formas de prevenção», insiste o governo.

O executivo aproveitou a oportunidade para” reconhecer e agradecer publicamente todo o esforço que tem sido assumido pelos profissionais da saúde, jornalistas, bombeiros, forças de defesa e segurança e todos aqueles que direta ou indiretamente têm dado o melhor de si nesta batalha árdua contra este inimigo invisível”.

Contudo, o primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, na sua curta comunicação no fim de semana sublinhou que “nós não toleraremos todo o comportamento anticívico, atentatória à saúde publica, a saúde e a vida das comunidades. Vou ser coerente com aquilo que temos estado a anunciar”.

O presidente da República prorrogou por mais 15 dias o estado de emergência, pedindo “mais esse sacrifício” em defesa da “integridade física dos cidadãos”. O quadro restritivo vai chegar aos 45 dias.

Numa mensagem a nação, Evaristo Carvalho disse: “se deixarmos o vírus propagar-se livremente, poderemos vir a ter situações dramáticas dentro de um a dois meses”.

O primeiro magistrado da nação lamentou que “infelizmente” muitos concidadãos “ainda não acreditam na presença da doença no país”.

«Muitos pensam que tudo isso é uma história, porque não há muita gente a morrer no país”, referiu Evaristo Carvalho, advertindo que “não há muita gente doente nem muita gente a morrer, mas há pessoas hospitalizadas em sofrimento e, quem sabe, umas tantas pessoas doentes em casa que não tenham sido levadas aos centros de saúde”.

A comunicação do chefe do Estado foi após a reunião realizada no palácio presidencial com representantes de órgãos de soberania, o Procurador-Geral da Republica (PGR) e os representantes das Ordens Profissionais do ramo da saúde.

No encontro foi feito um balanço exaustivo do impacto das medidas de prevenção adotadas no âmbito do Estado de Emergência, do seu grau de cumprimento, dos preparativos em curso para se enfrentar a pandemia, tendo em conta os diversos cenários, bem como das medidas económicas e financeiras que o governo pretende tomar para mitigar os efeitos causados pelas medidas de prevenção.

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