São Tomé e Príncipe

STP: Crise de combustíveis obriga o governo a acelerar a transição energética

(C) ENCO

As primeiras unidades de produção de energia fotovoltaica deverão entrar em funcionamento no próximo ano. Parceiros internacionais como o Banco Mundial e o BAD estão a apoiar o país para se libertar da produção de energia térmica, que depende fundamentalmente do gasóleo angolano.

«Os nossos parceiros multilaterais estão a apoiar-nos, no sentido da reforma da EMAE (Empresa de Água e Eletricidade), e na legislação para dar credibilidade ao sistema e segurança aos investidores», garantiu o ministro das Infraestruturas, Recursos Naturais e Ambiente.

«A quantidade de combustíveis que nos é proporcionado pela Sonangol é insuficiente, tanto para o abastecimento normal como para a produção de eletricidade. Para diminuir o consumo do gasóleo, temos que substituir a forma de produzir energia no nosso país», disse Osvaldo Abreu, em conferência de imprensa.

«Já avançamos para a adjudicação de espaços para a instalação de três projetos fotovoltaicos de 10 megawatts cada. Incluindo também um projeto de biomassa, que vai produzir energia através dos resíduos sólidos e desta forma contribuir para o saneamento do meio ambiente, tanto nas ruas como nas cidades», assegurou Osvaldo Abreu.

«Temos cerca de 8 propostas de empresas interessadas na produção de energia fotovoltaica. São empresas de origem alemã, espanhola e americana. Vamos avançar com elas para esta fase de produção de eletricidade», adiantou.

Por outro lado, ainda neste mês de Outubro serão lançados concursos públicos para adjudicação de obras para a produção de energia a partir de fontes hídricas.

«Estamos a falar das quedas de água de Bombaim, do rio Yo Grande, ou do rio Papagaio na ilha do Príncipe que já tem financiamento do PNUD e do BAD, para instalação de uma central míni hídrica no rio que alimenta a ilha do Príncipe», explicou Osvaldo Abreu.

Entretanto, o governo anunciou a chegada de combustíveis para esta semana. Os últimos dias foram de racionalização no abastecimento de veículos. Porém, o fornecimento de energia também ficou afetado.

Segundo o executivo, o stock de gasolina diminuiu, o que obrigou a ENCO (Empresa de Combustíveis e Óleo) a “racionalizar o fornecimento deste produto”.

Recorde-se que a Sonangol diminuiu a quantidade do produto fornecido e a empresa angolana “tem enfrentado também algumas dificuldades nas suas operações correntes em Angola”, diz o comunicado do Conselho de Ministros.

Contudo, o atraso no abastecimento deve-se à falta de navios petroleiros, de acordo com o diretor-geral da ENCO.

José Barbosa garantiu que foi feita uma encomenda de combustíveis que devia ter chegado ao país na última semana. No entanto, a encomenda foi bloqueada pela Sonangol, proprietária da ENCO.

«A Sonangol não tem neste momento navios e para o carregamento que deverá chegar ainda num dia destes, eles foram obrigados a alugar um navio a terceiros. Por tudo isso não tivemos combustível a altura para fornecer ao mercado, e a consequência foi a rotura do stock da gasolina», explicou.

O executivo está a tomar “medidas alternativas para a resolução definitiva” da rotura de combustível no país.

“A Sonangol continua a ser o principal parceiro do governo no fornecimento de combustível, não obstante as suas limitações internas. Nós estamos sempre gratos pelo esforço que a empresa tem feito para que o abastecimento seja garantido”, disse o ministro das Infraestruturas, Recursos Naturais e Ambiente em conferência de imprensa, acompanhado pelo responsável da ENCO.

Osvaldo Abreu acrescentou que tem havido “permanentemente concertação entre vários membros do governo, alguns parceiros locais e regionais para nós garantirmos o produto no nosso mercado”.

O ministro reconheceu que São Tomé e Príncipe vive uma « conjuntura única», na sua história, como comprador de combustíveis de um só fornecedor desde 1975.

A interrupção regular do fornecimento da gasolina provocou uma pequena manifestação de moto taxistas em frente ao gabinete do primeiro-ministro, levando à intervenção da polícia de choque, que fez alguns disparos para o ar para dispersar os manifestantes.

Os apelos à calma vieram de vários quadrantes. “O governo apela à calma e à ordem pública e garante que medidas estão a ser tomadas para identificar e punir os especuladores que se aproveitam desta situação para açambarcar o combustível nos postos de abastecimento e revender a preços mais altos”, diz o executivo em comunicado.

O ministro da presidência do Conselho de Ministros e Assuntos Parlamentares, Wuando Castro, e o secretário de Estado do Comércio, Eugénio Graça, tiveram uma reunião com uma representação das associações dos taxistas e dos motoqueiros para analisar a situação.

As partes acordaram que a cada taxista será dada a possibilidade de se abastecer diariamente com 10 litros de gasolina e 5 para os motoqueiros até a regularização do abastecimento.

Plácido Paulo, representante dos taxistas, pediu à população para “não criar agitação”, apelando a todos para “manter a qualidade do entendimento”.

O governo está a utilizar a “reserva estratégica” de combustível para assegurar o mercado enquanto não se estabilizar o fornecimento.

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