STP: MLSTP/PSD e Coligação não compareceram ao encontro com ADI

O MLSTP/PSD e a Coligação PCD/MDFM-UDD, depois da polémica do fim de semana sobre a troca de correspondência relativamente ao encontro proposto por ADI, não se fizeram representar no local proposto.

«A agenda de um encontro, seu local, hora e formato deverão ser sempre previamente negociadas e acordadas e nunca imposta pela parte interessada (…), como se estivesse a tratar com os seus militantes», justificaram em conferência de imprensa conjunta as duas formações que assinaram um acordo de incidência parlamentar.

«Face a essa atitude arrogante e prepotente, decidimos não comparecer no encontro proposto pelo ADI nos moldes e nas condições impostas por este partido», acrescentam.

O encontro estava programado para as 9 horas locais, em um dos hotéis da capital. Cerca de uma hora e meia depois, o porta-voz da ADI, Abnildo de Oliveira comunicou aos jornalistas: “Estamos cá há mais de uma hora à espera, mas a outra parte não apareceu”.

O ADI convidou as duas formações políticas para encontros separados. Esta segunda-feira seria com o MLSTP/PSD e, na esta terça, com a Coligação PCD/MDFM-UDD.

A Direção do ADI explicou que “cada um deles concorreu separado às eleições, com um programa diferente, com ideias diferentes e agendas diferentes”.

Entretanto, “é do conhecimento público a coligação PCD/MDFM-UDD tem um acordo de incidência parlamentar com o MLSTP/PSD que, aliás, fora entregue oficialmente ao presidente da República. Nesse contexto, decidimos agir sempre em conjunto, face a qualquer assunto que tenha como objetivo de solucionar a atual crise política institucional criada pelo ADI”, responderam.

ADI pretendia chegar a um entendimento para uma eventual formação de um governo de base alargada. Apesar de ter obtido 25 dos 55 assentos no parlamento, não tem estabilidade parlamentar para governar.

Porém, o MLSTP já tinha manifestado na sua página nas redes sociais que um Governo de Unidade Nacional pressupõe, “antes de tudo, a existência de algumas afinidades entre os partidos que o compõem, alguma aproximação nos programas e propostas de governação que cada um defende e, como ficou demonstrado na campanha eleitoral, o ADI apresentou propostas diametralmente opostas as do MLSTP/PSD e as da Coligação”.

No e-mail aberto dirigido ao presidente da República em finais de outubro, os sociais-democratas lembraram que a solução que a oposição propõe “não é nenhuma inovação ou invenção nossa. Tomamos como exemplo o caso de Timor Leste, nas eleições Legislativas de 2007, em que a FRETILIN foi vencedora sem a maioria absoluta, mas quem acabou por formar o Governo foi o CNRT de Xanana Gusmão, que conseguiu um acordo de incidência Parlamentar com o resto da oposição. Podemos também elencar o caso Português, nas eleições legislativas de 2015, em que a coligação PSD/CDS ganhou as eleições sem a maioria absoluta, insistiu na formação de um Governo minoritário, com o beneplácito do Presidente Cavaco Silva, mas acabou por sucumbir na Assembleia da Republica, 9 dias depois, com a reprovação do seu Programa de Governo pelo PS, CDU e BE, que acabariam por dar sustentabilidade parlamentar a um Governo do PS que persiste até aos dias de hoje”.

A oposição insiste que está “disponível ao diálogo e discutir com quem quer que seja, assuntos relativos a São Tomé e Príncipe para a sua estabilidade política e o seu desenvolvimento”. Exortaram uma vez mais ao chefe de Estado, a “encetar contacto para a formação do governo” para o qual reiteraram “total e incondicional disponibilidade”.

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