São Tomé e Príncipe

STP: Executivo submete-se à avaliação da sociedade civil na comemoração do primeiro ano de governação

(C) e-Global

O governo liderado pelo primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus, submeteu-se à avaliação da sociedade civil, no quadro da celebração do primeiro ano do empossamento do executivo, a 3 de dezembro de 2018.

O exercício, que durou cerca de 3 horas na sala de conferências de um dos hotéis da capital, serviu para o executivo apresentar os resultados após 8 meses de execução orçamental, ouvir críticas e sugestões dos presentes com vista a melhorar o seu desempenho.

O executivo elencou 24 realizações conseguidas neste primeiro ano, “sem período de graça” e “enfrentado pressões internas de várias ordens, muitas delas promovidas por interesses inconfessáveis e forças de bloqueio” e numa conjuntura económica e financeira difícil.

Entre as realizações pode-se mencionar a liquidação da “parte das dívidas deixadas pelo anterior o governo em mais de 7 milhões de dólares”; o pagamento de “ordenados da função pública, sem recorrer a empréstimos bancários”, o lançamento do concurso internacional para a construção do porto de águas profundas” e a aquisição de “novos grupos de geradores para reforçar o fornecimento de energia no país”.

Foi também lançado o “Programa Família” em benefício de mais de 2500 famílias com o apoio do Banco Mundial e iniciou-se em cooperação com a China a “construção de 200 casas sociais até final de 2022”, para citar alguns exemplos.

«Conseguiu-se manter o clima de estabilidade de paz social, enfrentando ou mitigando os problemas mais candentes como o pagamento dos salários, a energia elétrica, a importação de combustíveis, a conclusão de obras indispensáveis a vida quotidiana das populações, nomeadamente água, estradas, escolas, entre outras”, indicou o chefe do governo.

Jorge Bom Jesus lembrou que quando aceitou o cargo para chefiar o executivo, havia “um clima de grande clivagem e tensão politica”. Porém, assumiu o compromisso de dialogar com todos os são-tomenses, de “falar a verdade ao povo”.

«Foi nesta base que apresentei o estado em que o país foi encontrado, sem camuflar as dificuldades, buscando novas soluções para velhos e estruturais problemas, deixando a promessa de continuar a pautar e agir nesta linha, porque a prestação de contas, a gestão de coisa pública e a luta contra a corrupção são para mim, bandeiras sagradas de governação», sublinhou.

Para contrariar o “pesado fardo macroeconómico e todas as dificuldades do percurso”,”tornou-se necessário intensificar-se a diplomacia económica, sensibilizar os parceiros de cooperação para a atração de investimento direto estrangeiro, mobilização de financiamentos concessionais e donativos de parceiros bilaterais e multilaterais, associando a determinação na contenção de despesas publicas e o esforço titânico na arrecadação de receitas”, referiu Jorge Bom Jesus.

O chefe do governo vincou ainda que a liberdade de expressão é hoje “uma realidade tangível”. Lamentou, porém, que tem sido “praticada intensamente ao ponto de alguns cidadãos mal-intencionados resvalarem para a libertinagem, vilipendiando dirigentes do Estado na praça pública numa acintosa cultura antipatriótica com intoxicações e mentiras que mancham a imagem do país, afugentando muitas vezes investidores”. Advertiu que “há limites para tudo, na dinâmica da vida em sociedade, mesmo em regime de direito democrático”.

Em várias rondas, durante cerca de duas horas, os cidadãos comuns representantes de organizações da sociedade civil colocaram perguntas, que foram respondidas por membros do governo e diretores, fizeram críticas, algumas das quais foram objeto de esclarecimentos por parte de responsáveis intermédios e fizeram sugestões. Uma delas, foi a pertinência de se “reunir equipas de técnicos nacionais, independentemente da filiação partidária, para refletir e aconselhar sobre assuntos importantes do país”, antes de negociações com certos parceiros estrangeiros.

A iniciativa foi louvada pelos intervenientes e revela o espírito de humildade do executivo, em particular, do chefe do governo, que também pediu desculpas a aqueles que se estão zangados com ou sem razão.

Muitos inscritos não puderam exprimir-se e o chefe do governo deixou a promessa de continuar este exercício no plano setorial e apelou aos seus colaboradores a encontrarem espaço para a sua concretização.

O primeiro-ministro continua motivado a cumprir e fazer cumprir a espinhosa, mas nobre tarefa missão em “servir São Tomé e Príncipe e não servir-se dele”, neste primeiro ano que foi realizar ações de “emergência”, tendo em conta a herança que encontrou.

Um dos desafios é “atrair o capital privado estrangeiro e promover o tecido empresarial nacional, como forma de fazer recuar o desemprego e erradicar a pobreza”.

Bom Jesus manifestou-se esperançado com as perspetivas para 2020, apesar das dificuldades e, apelou uma vez mais ao trabalho abnegado e à participação de todos os santomenses no desenvolvimento do país.

Este exercício tem lugar quando o executivo prepara-se para ir defender no parlamento dentro de dias, o projeto do Orçamento e das Grandes Opções do Plano apresentado para 2020.

© e-Global Notícias em Português
Comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Topo