São Tomé e Príncipe

STP: “Paz falsa”

Na opinião do Partido de Convergência Democrática, vive-se em São Tomé e Príncipe uma paz aparente. Em conferência de imprensa, o presidente do PCD recordou que o processo de criação do Tribunal Constitucional foi a mais recente “semente de desconfiança”.

«Obrigar a sociedade a aceitar um Tribunal ilegalmente constituído, continua a ser uma afronta à democracia, à nação e a todos os cidadãos de boa-fé e constitui no nosso entender mais pólvora colocada debaixo do barril em que o país está assentado. Enquanto a justiça e a legalidade não forem repostas, estamos vivendo uma situação de exceção jurídico-constitucional», disse Arlindo Carvalho.

O líder da segunda maior forçada oposição insiste que “estamos perante um imbróglio”. Para desanuviar o atual clima, os políticos devem pôr-se de acordo para “encontrar a solução mais consentânea com a lei”.

«O medo se instalou e a manipulação e condicionamento da vida política e social das pessoas faz pressentir uma paz falsa, uma paz aparente», analisou.

Carvalho apontou ainda que a “prática política do partido no poder tem sido desenvolvida, no sentido de subverter a nossa tradição democrática”.

«As nossas instituições estão a ser objeto de interesse político partidário que põe em causa a coesão nacional», acusou.

O PCD lamenta também a “ausência de diálogo político entre o poder e os partidos da oposição, a ausência de esforços em busca de consensos” que têm prejudicado a consolidação e a evolução do processo democrático santomense.

Arlindo Carvalho deixou alertas. “É preciso, a bem da Nação, que haja um trabalho no sentido de desanuviar a tensão política latente, de modo a prevenir que o futuro não traga dias amargos para a maioria dos santomenses”, disse.

Insistiu que “é necessário que o poder e a oposição se sentem à mesa a busca de pontos de diálogo com vista a retirarmos a pólvora debaixo do barril em que o país está assentado”.

O PCD, sublinhou, “desafia o partido no poder a dar provas de boa-fé na busca de uma solução que contribua para o desanuviar o clima político vigente em STP”, tomando como premissa “a vontade de diálogo e coesão social manifestada pelo primeiro-ministro”, quando a crise política se agudizou em meados de janeiro e que provocou a vinda do enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas para tentar uma mediação entre as partes.

A propósito, o PCD recordou que a proposta de solução apresentada pela oposição após um trabalho aturado e entregue ao poder por François Fall foi “pura e simplesmente ignorada”.

Entretanto, o presidente dos convergentes democráticos considera que o seu partido e o país congratulam-se com o “gesto amistoso” da União Europeia, pelo facto de ter enviado o seu representante regional que se mostrou comprometido a “ajudar a criar condições técnicas para que as próximas eleições sejam livres justas e transparentes”.

A conferência do PCD tem lugar dias antes da visita oficial do presidente da República portuguesa a São Tomé e Príncipe.

Marcelo Rebelo de Sousa, que estará no país entre os dias 20 e 22, recebe ao fim do dia 21, quarta-feira, os partidos da oposição com assento parlamentar, de acordo com o programa que a e-global teve acesso.

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