São Tomé e Príncipe

STP: Prorrogação ou não do Estado de emergência sanitário?

O Conselho de Ministros reeniu-se esta quinta-feira para com base num relatório do Ministério da Saúde sobre o estado epidemiológico da Covid-19 decidir os próximos passos. O quarto Estado de Emergência sanitária termina este fim de semana.

«Vamos analisar com o devido cuidado e atenção a situação atual e o impacto desta crise no nosso país, para decidir o próximo passo: voltar a prorrogar o Estado de Emergência ou reduzir o nível de alerta para uma calamidade publica, com o consequente desagravamento paulatino das medidas de restrição», disse o primeiro-ministro.

Jorge Bom Jesus fez o anúncio na sua mensagem à Nação, esta quarta-feira, em que recordou e explicou as ações do executivo na gestão da pandemia, face às críticas de que tem sido alvo nos últimos tempos.

«Prolifera uma onda de desinformação orquestrada, sobretudo nas redes sociais, para desacreditar o governo e também algumas vozes experientes se levantam publicamente para crucificar o governo, apontando só falhas e propondo falsos remédios cosméticos e políticos», denunciou.

Por exemplo, o chefe da Casa Civil da Presidência da República, engenheiro Arlindo Gomes, elencou no seu artigo de opinião “A Pandemia da Covid-19 em STP- As preocupações de um cidadão” um conjunto do que qualifica de “graves erros” e entre as soluções propôs a constituição de um governo de “Salvação Nacional”.

O ex-presidente Manuel Pinto da Costa, apesar de ter reconhecido que “o governo está a fazer todos os esforços possível e imaginário”, questionou: “será que esse governo está a fazer as coisas que devem ser feitas?”

Na opinião manifestada numa recente entrevista, depois da sua Fundação ter contribuído com alguns equipamentos em parceria com a Fundação Vida de Angola para o combate à pandemia, Pinto da Costa considerou: «Não está preparado para enfrentar esta situação… está completamente desorganizado…improvisando as coisas».

O ex-chefe de Estado vai mais longe ao visualizar “o risco de um desastre total do ponto de vista económico, social e político se o Governo não souber gerir convenientemente a pandemia da Covid-19».

«Vamos ter uma reviravolta tão grande que a desgraça que vai seguir a essa pandemia pode ser ainda maior que a própria pandemia», vaticinou.

Pinto da Costa insiste como uma possível solução a realização de um “Diálogo Nacional”.

O chefe do governo lamentou que a “maior fraqueza” em todo este processo de combate e controlo da pandemia Covid-19 no país “residiu na falta de um laboratório para testes PCR e sua massificação”, bem como o “comportamento nada responsável de muitos cidadãos que não acreditam na doença e, por conseguinte, não acatam as medidas restritivas do governo”.

Com o apoio da OMS, o laboratório “tão esperado e solicitado pelo governo desde fevereiro último” só chegou ao país há duas semanas. “Já está montado, aguardando a chegada da especialista da OMS, (que devia ter acontecido desde segunda-feira) para calibragem e início de testagens”, informou Bom Jesus.

Em retrospetiva recordou que “atempadamente todas as medidas políticas e preventivas foram tomadas, a sensibilização da população realizada, a mobilização da parceria internacional acionada. E, por ironia do destino, quando não haviam testes e nem casos dramáticos graves no Hospital, toda a gente aplaudiu as medidas do governo e reconheceu que agimos bem por antecipação”.

Por exemplo, São Tomé e Príncipe foi dos primeiros países a fechar as suas fronteiras aéreas e marítimas, mesmo quando a OMS não aconselhava esse tipo de medida.

O primeiro-ministro aproveitou a oportunidade para dizer aos que “só têm olhos para a parte negativa” que “este governo baixou as altas taxas de paludismo que encontrou em finais de 2018, para níveis bastante satisfatórios atualmente”.

Bom Jesus acrescentou que o executivo que dirige conseguiu “mobilizar cerca de 15 milhões de dólares para a sua erradicação, sem esquecer outras doenças do dia-a-dia”.

Na vertente das medidas de mitigação do impacto social, económico e financeira da crise pandémica Covid-19, há um conjunto de ações em curso, desde a distribuição de cestas básicas, até o apoio financeiro a empresas privadas, particularmente ligadas ao turismo e hotelaria, aos informais; além da moratória no pagamento dos créditos bancários, “de forma inclusiva”, com o envolvimento do governo, poder local, deputados nacionais e todas as forças vivas dos distritos.

As ações do executivo não estão apenas concentradas no combate à pandemia. Por isso, referiu-se, entre outras, às “obras de saneamento e drenagem da cidade capital”, reabilitação das “pontes sobre o rio Água Grande”; bem como o processo de instalação dos três últimos geradores recém-chegados ao país” que se encontram na fase de finalização.

Adiantou que “o pós-crise sanitária está ser preparado por uma equipa multidisciplinar de quadros santomenses de reconhecida competência com aassistência técnica de muitos parceiros”.

“Só não vê, quem não quer”, rematou Bom Jesus, para acrescentar: “há um momento para tudo, senhoras e senhores! Para paz, para guerra, para construir, para destruir, ajudar, atrapalhar, matar e salvar, sem precisar de nenhum governo de salvação nacional”.

«Não faço parte da turma dos maniqueístas (profetas da desgraça) que sabem tudo e tem soluções milagrosas para tudo apenas quando estão na oposição e que acham que tudo está mal quando não estão na liderança, ou melhor, no poder, sobretudo, aqueles que tiveram a oportunidade para fazer melhor e diferente e não fizeram», sublinhou.

“Os momentos difíceis, históricos, filtram, enaltecem e absorvem os verdadeiros patriotas, mas desvendam os oportunistas”, declarou Jorge Bom Jesus, insistindo que o governo tem “feito tudo” para melhorar “cada dia que passa o nível diagnóstico, epidemiológico e clínico”.

«Entenderão que pandemia Covid-19 é uma escola para todos, até para os melhores sistemas de saúde do mundo», insistiu,

 

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