São Tomé e Príncipe

STP: Tozé Cassandra afasta-se da política ativa

Tozé Cassandra; STP

O anúncio feito por José Cassandra de que vai afastar-se “por algum tempo” da vida política ativa surpreendeu analistas e observadores políticos. Era dada como certa que a decisão de interromper o seu mandato como presidente do governo regional do Príncipe tinha relação com a necessidade de ter tempo para preparar a sua candidatura às eleições presidenciais de 2021.

Depois de ter manifestado a intenção de deixar o cargo que ocupava há quase 12 anos, surgiu no Príncipe “movimentos espontâneos” de apoio ao Tozé, como candidato à Presidência da República, com eco nas redes sociais. Em algumas análises publicadas, era um dos nomes que aparecia como um dos potenciais inquilinos do Palácio Cor de Rosa.

Tozé Cassandra, como é conhecido no país, afirmou que não vai concorrer. Além de querer dar mais atenção à família que vive no exterior e resolver questões pessoais, argumentou que não quer ser “mais um presidente” a desfilar no palácio presidencial, caso viesse a ser eleito.

«Há muita vida para além das eleições presidenciais», disse. Tozé está entre os que defendem que os problemas do país deviam ser objeto de uma “discussão profunda, antes mesmo das eleições presidenciais”.

«Os próximos tempos exigem de todos nós mais e melhor por São Tomé e Príncipe. Não basta as pessoas virem anunciar as candidaturas. Mais do que isso, devem dizer o que é que pretendem fazer no exercício da presidência»,

O problema da falta de emprego, a situação sanitária, o saneamento do meio, a reforma da justiça, a redução do efetivo militar e a sua conversão para atividades da marinha e da guarda costeira, uma vez que o território marítimo é 160 maior que o terrestre, estão entre as questões que, na perspetiva de José Cassandra, precisam de soluções partilhadas com o governo.

Entende que o presidente da República “pode influenciar na solução desses problemas”.

Entretanto, vai estar “sempre com os olhos postos” na política e “disponível para trabalhar” para o país. A possibilidade de regressar a vida política ativa “vai depender muito” da sua situação familiar e da evolução da política interna do arquipélago.

«As pessoas não podem perceber que trabalhar para São Tomé e Príncipe tem que ser sempre na política ativa».

Teobaldo Cabral, ex-assessor para a Comunicação de José Cassandra, ainda não está totalmente convencido desta decisão. Porém, outros que também o conhecem de perto não duvidam do seu posicionamento. Porém, consideram que deve ter acontecido “qualquer coisa”, além das razões pessoais evocadas, que influenciaram no recuo anunciado.

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