São Tomé e Príncipe

STP vai deixar de importar água mineral

STP águas bom sucesso

No meio do preocupante ambiente da pandemia provocada pela Covid-19, estão a surgir alguns sinais interessantes para a economia santomense.

Por exemplo, brevemente o país vai deixar de importar água mineral. É um dos tais projetos de “cabelos brancos”. Uma fábrica de raiz para recolha, tratamento, engarrafamento e comercialização de água nos arredores da Roça Monte Café, foi lançado em 2009, ainda com o governo do ex-primeiro-ministro, Rafael Branco.

A iniciativa teve o financiamento do governo da Líbia, então liderado por Muhamar Kadaffi, entre os anos 2010 e 2011 e passou por várias vicissitudes, entre as quais a proibição de leilão pelo executivo do primeiro-ministro Gabriel Costa, também por causa dos acontecimentos no país do Magreb que levaram ao assassinato do líder líbio.

A ideia foi reativada há três anos com a visita do diretor de Cooperação Internacional do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Líbia, Mosab Algoil. Ele garantiu que a empresa que estava a gerir a fábrica paralisada, iria ter todas as condições para pôr a unidade em funcionamento num prazo de 60 a 120 dias. No entanto este ano, é que a promessa do funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Líbia, vai ser cumprida.

O chefe do atual executivo visitou a fábrica e detalhou a pressão que foi exercida sobre a empresa líbia, África Investment and Trade Company LDA.

«Nós ao entrarmos na governação colocamos muita pressão, ao ponto de termos dado um ultimato a empresa no mês de fevereiro. Trabalharam e hoje 90% da obra está feita», afirmou Jorge Bom Jesus.

Os responsáveis pela fábrica de água, explicaram que tudo está pronto para o início do engarrafamento e comercialização de “Águas Bom Sucesso”, nome do local onde está a nascente, assim como o jardim botânico de São Tomé. É na área montanhosa próxima de Lagoa Amélia, onde se encontra o maior lençol de água pura e natural da ilha de São Tomé.

Com capacidade de produção máxima de 12 mil litros de água por dia, a unidade de tratamento e processamento recebe o líquido precioso de uma distância de cerca de 5 quilómetros.

A equipa técnica da fábrica garante que a água é de boa qualidade. O ministro dos Recursos Naturais, Osvaldo Abreu, garantiu que em parceria com o Ministério da Saúde, foram instalados equipamentos e equipas de fiscalização que avaliam a todo o momento a qualidade da água que é processada na fábrica.

A comercialização de “Águas Bom Sucesso” está, segundo os operários da fábrica, dependente da certificação e manutenção de alguns equipamentos. A tarefa está incumbida a um engenheiro de nacionalidade turca, que deverá chegar a São Tomé nos próximos dias.

Por outro lado, dentro de seis meses a Cooperativa de Cacau Biológico, Cecab, vai começar a explorar uma fábrica de chocolate, que vai ocupar uma área de pouco mais de 200 m2.

O diretor executivo da cooperativa disse, no lançamento da primeira pedra, que “a Cecab foi fruto de um sonho. E agora, a própria Cecab tem muitos sonhos”.

«Esta obra será o património de duas mil e duzentas famílias de pequenos agricultores, reunidos em 36 associações. Pensamos com o rendimento da fábrica melhorar o nosso Fundo de apoio ao Desenvolvimento Estrutural e Social, por conseguinte estar em melhores condições para dar o nosso contributo ao desenvolvimento do setor agrícola e para a melhoria das condições de vida dos produtores de cacau da Cecab», sublinhou António Dias.

A iniciativa vai custar cerca de 350 mil euros, financiada pelo BAD, através do PRIASA II.

Segundo a coordenadora do PRIASA, Ayara Trigueiros, é “mais uma obra prevista no âmbito do projeto e vem agregar mais valor ao produto da cooperativa e, consequentemente, proporcionar maior rendimento aos agricultores desta cooperativa, que é um dos objetivos do Banco Africano de Desenvolvimento.

O chefe do governo parafraseou o cantor santomense Sum Alvarinho, ao exultar que “o cacau é ouro, é prata e o nosso diamante também”.

«Esta pedra que nós lançamos para a construção desta fábrica, a fábrica de São Tomé e Príncipe, dos santomenses para os santomenses não é uma pedra qualquer. É uma pedra com valor de diamante, com valor de história. Porque o cacau escravo do passado, hoje é uma arma de desenvolvimento, é uma arma de libertação económica. O primeiro passo que nos leva ao caminho da transformação de São Tomé e Príncipe, esta plataforma sonhada de serviços, de negócios, do turismo, de muitas fábricas. Esta é uma das primeiras», afirmou Jorge Bom Jesus.

Outra indicação importante é que São Tomé e Príncipe venceu o concurso de óleos do mundo. O país arrebatou a medalha de ouro Gourmet de óleo de coco virgem. A entrega de prémio será realizada brevemente em Paris.

«Tudo o que nasce, tudo o que floresce em São Tomé e Príncipe, se for devida e tecnicamente acarinhado pelos homens resulta sempre em excelência. Cacau, óleo de palma e neste momento, o óleo de coco. Curiosamente, um produto que durante os tempos da história não se deu muita importância, porque o cacau foi sempre o produto rei. Hoje estamos a descobrir, as valências, as virtudes e qualidades do óleo de coco, tanto para o consumo alimentar como para a estética», reagiu o chefe do governo.

«Estamos muito orgulhosos. Queremos continuar a encorajar a empresa ‘Valudo’, que produz este óleo com esta qualidade e encorajar outros santomenses a seguirem este caminho da transformação da matéria-prima de acrescentar valor àquilo que a natureza coloca à nossa disposição. Isto é válido hoje para este óleo, mas depois temos uma gama de produtos que quereremos que sejam de excelência, sempre bio e com alto valor acrescentado», realçou Bom Jesus.

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