Timor Leste

Timor-Leste: Alkatiri partilha preocupação pela situação “muito grave” do país

Mari Alkatiri

O líder da Fretilin na oposição, Mari Alkatiri, manifestou nesta quinta-feira, 07 de novembro, a sua preocupação pela situação “muito grave” de Timor-Leste, tendo criticando igualmente o elevado valor e as políticas da proposta do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2020.

Para o antigo primeiro-ministro timorense é estranho o facto de o OGE, atualmente em tramite parlamentar, ter começado “com um teto de 1,1 mil milhões de dólares e ter chegado quase ao dobro”, sendo financiado pelo “património líquido” do Fundo Petrolífero em investimentos “sem retorno”.

Após ter lembrado que desde 2007 o Estado gastou mais de 12 mil milhões de dólares, questionou a “estrutura do próprio orçamento”, que parece “interessado em despesas fáceis, com bens e serviços e transferências públicas”, tendo apelado a um melhor investimento para o desenvolvimento em setores como saúde, educação, agricultura e turismo.

Alkatiri declarou ainda que as receitas não-petrolíferas do país rondam apenas os 200 milhões de dólares. “Temos que encontrar solução para travar o movimento de despesas sem retorno. Se não temos capacidade para travar, temos um problema. Esta é uma situação grave que enfrentamos agora. Estamos numa caminhada sem retorno”, defendeu, considerando que “as receitas não-petrolíferas nem sequer dão para salários e vencimentos”.

As afirmações foram feitas na 1.ª Conferência Nacional do Comité Orientador 25, estrutura que pretende registar a história da luta timorense pela independência, evento para o qual foi convidado para apresentar uma palestra sobre a história da luta, mas que, após uma introdução sobre o tema, a intervenção acabou dominada pela situação atual.

Em relação àquela que considera ser uma situação “grave” pela qual o país atravessa, o político, atualmente sem funções em instituições do Estado, disse ser essencial encontrar uma solução que não passe por mais eleições antecipadas.

“Por tudo e por nada fala-se de eleições antecipadas. Isso não é solução. Temos que encontrar uma solução. E rejeitar a tendência de estar sempre a arranjar bodes expiatórios”, sublinhou, ajuntando que “a abordagem tem que mudar, a cultura política tem que mudar, mas fundamentalmente agora temos que ter coragem para abordar a questão do Estado, para defender e reforçar o Estado de Direito Democrático”.

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