Timor-Leste: Deputadas agridem-se por causa da língua portuguesa

As deputadas timorenses Fernanda Lay, do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), e Olinda Guterres, do Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO), envolveram-se em confrontos físicos e verbais durante uma discussão sobre o uso do português.

A discussão, que ocorreu durante um debate na comissão de Finanças Públicas, na sala do plenário do Parlamento Nacional, começou quando Olinda Guterres criticou Fernanda Lay por falar em português numa interpelação durante o debate, na presença da vice-ministra da Solidariedade Social e Inclusão, Signi Chandrawati Verdeal, entre outros.

Segundo a deputada do KHUNTO, a colega deveria ter feito a intervenção em tétum, língua timorense, defendendo que muitos não entendem o português. E, já que se estava a falar sobre o orçamento do país, considerou que as pessoas teriam que entender o que estava a ser dito.

Por sua vez, a deputada do CNRT criticou igualmente os comentários de Olinda Guterres, acusando-a de comentários racistas porque foi chamada de “china pirata”, e mostrou-lhe a Constituição. Se a colega não entende português, acrescentou, existem aulas gratuitas no Parlamento.

As deputadas acabaram por se envolver em agressões físicas, além de verbais, e foram separadas por outros deputados. Esta situação levou a presidente da comissão C, Maria Angélica dos Reis, a decidir interromper a audição no plenário, tendo a mesma sido retomada pouco tempo depois com apelos à calma.

6 Comments

  1. Roque

    O português é uma das línguas oficiais de Timor-Leste e está escrito no artigo 13 da Constituição Nacional de Timor-Leste e tem sido usado com frequência em todas as sessões do parlamento nacional porque o vocabulário do português é muito rico em comparação com o tétum, mas um dos deputados de Khunto Olinda Guterress que não é conseguem falar e entender bem o português porque o nível de escolaridade é apenas na 4ª classe, talvez até não na escola, protestando fortemente contra a deputada da CNRT, Fernanda Maria lay, que sabe falar um português muito fluente.
    Olinda Guterres, juntamente com a vice-Presidente Parlamento, acusaram a deputada da CNRT, Fernanda Lay, de usar deliberadamente a língua portuguesa, para que o povo não entendesse os relatórios e perguntas levantadas pela CNRT nos portugueses.
    Angelina Sarmento, como Vice presidente da PN, mostrou sua injustiça e não foi imparcial, acusando o CNRT de usar deliberadamente o português para encobrir as fraquezas do CNRT enquanto ainda liderava, para que o povo não entendesse o que estava sendo questionado, relatado e comentado, mesmo que na constituição a RDTL Português fosse uma língua oficial além do tétum.
    Essa acusação é irracional porque a deputada Fernanda Maria Lay do CNRT não pode tolerar porque o racismo de Olinda Guterres parece endereçado a Fernanda Lay, que disse que Fernanda Lay a China Pirata. (Fernanda Lay é uma timorense chinesa)
    Havia um elemento de antipatia e ódio de outros partidos apoiado por Angelina Sarmento como vice-presidente do Parlamento Nacional que justificava as ações de Olinda Guterres. Considerando que antes e durante cada sessão no parlamento com frequência usando o português, por que apenas agora estava sendo protestado pelo deputada de Partido Khunto, que tinha pensamentos negativos sobre o CNRT e a maioria de KHUNTO não conseguia falar e entender o português adequadamente?
    Olinda e Angelina violaram os artigos 3, 13 e 16. da constituição nacional de Timor-Leste, o que é lamentável e muito embaraçoso para todo o povo de Timor-Leste com as ações estúpidas dos dois membros do parlamento nacional.
    Como sabemos, nos últimos meses eles realizaram o GOLPE no Parlamento nacional. violar a constituição e tomar o poder ilegalmente – Esta é a qualidade dos representantes ilegais do povo resultante do ataque ao poder no parlamento.

  2. Sérgio

    Uma estúpida essa Olinda Guterres, deve ser ainda prima do corrupto da ONU!

  3. Rafael Pereira

    Embate semelhante ocorre entre portugueses e brasileiros em Portugal, já que aqueles se dizem donos da língua portuguesa. Eu acho essa forçação de barra para as ex-colônias portuguesas serem obrigadas a seguir regras linguísticas que nada ou quase nada têm a ver com sua realidade cultural um verdadeiro ataque à identidade linguística desses países. É tudo uma questão de jogo político com vistas a benefícios econômicos que não favorecem a ninguém que não seja seus idealizadores, de exemplo essa aberração que chamam de Acordo Ortográfico. Pegando o Brasil como exemplo, o país tem uma diversidade cultural tão intensa que eu concordo com os portugueses quando eles dizem que não falamos português, e sim brasileiro. Temos inúmeros regionalismos, mas todo mundo se entende, o que não ocorre quando um português conversa perto de nós. Entendemos mais nossos amigos latinoamericanos ou até mesmo o espanhol europeu ou, ainda, o italiano (visto a grande comunidade italiana no Brasil), que os portugueses. Nosso caso não é o que ocorre com o inglês. As nações anglófonas têm desde tempos históricos um intenso intercâmbio cultural, visto o Império Britânico não ter se apoiado em critérios puramente exploradores para com suas colônias como Portugal fez.

    1. Alberto Cruz

      Como se poderia fazer em Angola, a título de exemplo, para manter o país unido numa entidade? Seria com mais de cem línguas e diferentes tribus possível? Haveria entendimento e unidade cultural? Este é o motivo pelo qual estes países optaram pela língua portuguesa e não pelas dezenas de línguas tribais. Informe-se e não se ponha a inventar e buscar diferenças com o que aconteceu com o império inglês.

  4. João Daniel Dos Santos Mendonça

    Tem verdade nos dois lados! Com o português o país abre para a globalização, e isso é muito importante, por outro lado, é preciso valorizar a língua local. O meio termo, o ponto de reconciliação é o bilinguismo. Muitos países são bilíngues e convivem muito bem com isso. Línguas faladas representam riqueza cultural. O Paraguai, por exemplo, espanhol e guarani são línguas oficiais!!

  5. Alberto Cruz

    A Olinda Guterres devia começar por buscar um nome indígena para mudar o seu nome de português para tétum pois não lhe fica nada bem, como tribal, usar um nome de uma área civilizada.

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