Timor Leste

Timor-Leste: Deputados dizem que meta do Governo sobre emprego é “absolutamente irrealista”

Uma comissão especializada do Parlamento Nacional de Timor-Leste, que analisou a proposta do Orçamento do Estado (OE) para 2020, considera que “contas simples” indicam que é “absolutamente irrealista” a promessa do Governo sobre a criação de 60 mil empregos por ano.

“A criação daquele número de novos postos de trabalho (60 mil/ano, 300 mil no total da legislatura) exigiria volumes de investimento que estão muito além da capacidade de investimento do país (mesmo com a ajuda de investimento estrangeiro)”, pode ler-se no relatório de avaliação da proposta orçamental do próximo ano da Comissão D, de Economia e Desenvolvimento.

O documento refere ainda que a criação de empregos “dignos e produtivos” é provavelmente “o principal problema económico-social” do país e questiona as estratégias do Governo sobre a matéria.

“Parece haver um desfasamento entre o que no programa de Governo se considera ser o problema principal da economia – a falta de empregos dignos e produtivos – e a política de crescimento (mas não de desenvolvimento) a implementar efetivamente, assente em setores capital intensivos que criam relativamente poucos postos de trabalho”, explica.

“Esta contradição parece ser a principal fraqueza da atual política económica e nem a esperança de que estes investimentos sirvam de motor para a economia e a criação de empregos (dignos e produtivos) parece ser muito consistente”, acrescenta.

Os deputados da comissão, que é maioritariamente formada por membros das bancadas dos partidos da coligação do Governo, observaram também que a meta dos 60 mil empregos por ano exigiria igualmente, entre outras medidas, o retorno dos emigrantes timorenses. E, ao mesmo tempo, “a transferência, também em volume muito importante, de trabalhadores hoje no setor informal da economia, particularmente no setor da agricultura dita ‘tradicional’”.

A comissão reitera que “com uma população em idade ativa (15-64 anos) de cerca de 700 mil pessoas é fácil perceber que aquela meta (300 mil novos postos de trabalho em 5 anos) é absolutamente irrealista e impossível de ser alcançada, já que contas simples recorrendo às estatísticas da população permitem verificar o seu irrealismo”, além de que, atualmente, o emprego total no setor, após 17 anos de independência, é de “cerca de 100 mil, incluindo cerca de 45 mil empregados do setor público e uns meros 60 mil trabalhadores por conta de outrem no setor privado”.

No entanto, a mesma fonte salienta que, apesar do “irrealismo da meta quantitativa proposta no programa do Governo”, tal “não põe em causa, em si mesmo, a importância primordial que parece ter o objetivo de criação de emprego no contexto da lógica do programa”. O que significa que “o objetivo está certo, mas a meta é que está errada”.

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