Crise | Timor Leste

Timor-Leste: Fenómeno metereológico La Nina ameaça sustentabilidade alimentar

Os agricultores de Timor Leste dizem que os meses de novembro a fevereiro são “a época de fome” e este ano pode ser pior do que o habitual devido a más colheitas relacionadas com os fenómenos climáticos El Niño e La Niña.

Em novembro, as famílias de agricultores em Timor Leste tendem a ter comido ou vendido a totalidade da sua produção. Apesar de terem plantado novas culturas com as chuvas, só devem ter a próxima colheita pronta em março ou abril.

Muitos dos 1,2 milhões de habitantes do país sofrem de fome crónica. Timor Leste foi classificado como o segundo país mais faminto na Ásia pelo Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar, que divulgou o relatório anual Índice Global da Fome. Foi o nono na lista a nível mundial, a par com o Iémen e o Afeganistão.

O problema provavelmente vai ser pior este ano, depois de o El Niño ter atingido o país em 2015 e 2016 e trazer a seca que matou culturas. Este fenómeno climático é geralmente seguido por La Niña, que pode trazer fortes chuvas e deslizamentos de terra que acabam por destruir as plantações e as culturas antes de poderem crescer.

A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA disse em agosto que há 40% de hipótese de o La Niña atingir Timor Leste no próximo mês, o que seria devastador para os agricultores, como Herman Pereira, chefe da Manahat, uma aldeia com cerca de 70 famílias na fronteira ocidental com a Indonésia. Pereira diz que em anos bons, os moradores levam as suas culturas através da fronteira para vender, mas que este ano, não há mais nada para vender.

As agências de ajuda estão a trabalhar com o governo para proteger as fontes de água, re-abastecer os agricultores com sementes, melhorar o acesso aos mercados e vacinar o gado e as aves.

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