Timor Leste

Violência doméstica aceite por mais de 80% das mulheres em Timor-Leste

Um estudo da Asia Foundation, de maio deste ano, revelou que cerca de 60% das mulheres timorenses já foram alvo de violência física ou sexual. A pesquisa indica também que a esmagadora maioria das vítimas concorda com a situação.

Dois terços das mulheres timorenses consideram que devem submeter-se à violência dos maridos para manter a família unida e 81% aceita que o companheiro lhes bata se não lhe obedecerem ou cumprirem bem as tarefas domésticas. Esta percentagem consegue superar a dos homens (79%) que responderam da mesma forma à questão.

O primeiro-ministro, Rui Araújo diz que as conclusões do estudo provam que só “a médio e longo prazo” se conseguirá obter uma alteração real nas mentalidades, o que terá de passar, necessariamente, pela “educação” e pela “criação de condições para que as pessoas vivam realmente longe das circunstâncias em que se possam tornar violentos”. A educação, a formação e a melhoria das condições socioeconómicas das famílias são as melhores armas para lutar contra a violência de género em Timor-Leste.

Para Rui Araújo uma das principais causas do problema são as dificuldades financeiras que as famílias enfrentam e que se assumem como território fértil para a violência se instalar e ser tida como normal. Apesar de manifestar preocupação com os dados revelados e de garantir que o executivo timorense está a trabalhar para resolver a situação, o governante lembra que há outro fator a ter conta na análise dos dados: a influência do historial de conflito do país.

Entre os homens inquiridos pelo estudo da Asia Foundation, mais de um terço confessa ter usado violência física ou sexual contra a sua companheira e 41% recorreram à violência emocional ou económica.

No que respeita a casos de violação, a maioria ocorre dentro de relações existentes, com o estudo a referir que os autores são geralmente conhecidos das mulheres. “Pais e membros da família, amigos e vizinhos são os principais autores das violações”, refere.

A pesquisa confirma, por outro lado, que 14% das mulheres com idade entre 15 e 49 anos foi violada por alguém que não era o seu companheiro e que uma em cada sete confirma que a sua primeira relação sexual foi forçada, algo particularmente prevalente entre as mais jovens.

Entre os homens, um quinto, com idades entre os 18 e os 49, confirmou ter violado uma mulher pelo menos uma vez na vida e entre 6% e 12% disse ter violado uma mulher ou rapariga com mais de um homem ao mesmo tempo.

Três em cada cinco homens (65%) violaram quando eram adolescentes (com menos de 20 anos) e 15% antes dos 15 anos.

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