África do Sul sob ataques e saques em manifestações de apoio a Jacob Zuma

África do Sul está desde o final da semana passada sob ataques e saques em manifestações protagonizadas alegadamente por movimentos pro ex presidente Jacob Zuma.

Os primeiros incidentes, com estradas bloqueadas e camiões incendiados, ocorreram na sexta-feira(09), um dia após a prisão do ex-Presidente, condenado a pena de prisão de 15 meses por desacato à justiça. Os manifestantes requerem como principal exigência a libertação de Zuma.

A violência, os saques e os incêndios começaram em Kwazulu-Natal e rapidamente espalharam-se no fim de semana na área metropolitana de Joanesburgo, a capital económica do país.

O Governo sul-africano destacou, na segunda-feira, militares das Forças Armadas (SANDF, na sigla em inglês) para as ruas de Gauteng e KwaZulu-Natal para ajudar a conter a situação de violência e saques em lojas e residências.

Em Moçambique os comerciantes do maior mercado grossista de Maputo, queixam-se de que a situação em África do Sul os afeta negativamente. Sudekar Novela, presidente da Associação dos Vendedores e Importadores do Sector Informal, diz prever situação difícil nos próximos tempos dado que os efeitos da violência e da covid-19 naquele país poderão se refletir em Moçambique.

Ernesto Maquina, chefe da principal fronteira com África do Sul disse ontem 14 de julho que desde o início das manifestações o fluxo de movimento fronteiriço baixou drasticamente mas apesar disso os dois lados da fronteira continuam a funcionar normalmente e em estreita colaboração.

O Administrador de Marracuene, Shafee Sidat, comenta que África do Sul, “ontem um país bonito e convidativo é hoje uma vergonha e país fantasma. Um país a caminho do abismo, depois da xenofobia, agora a guerra interna, não existe segurança nem confiança do amanhã para investir em África do Sul. Quando os itens do roubo acabarem a fome vai chegar e aí vai reiniciar o problema da xenofobia contra os estrangeiros Africanos. Estes serão acusados e maltratados, e muitos serão repatriados, e vão chegar a Moçambique, numa época da pandemia com as variantes Delta e Lambda à solta.”

Por outro lado Sidat referiu que se devem tomar medidas antecipadas, “devem ser postas em acção nas nossas fronteiras regras rígidas, até porque não só Moçambicanos vão voltar mas também outras nacionalidades e até os próprios Sul Africanos vão procurar um lugar mais seguro.”

Aurelio Sambo

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