África Subsaariana

Etiópia acusa o secretário-geral da OMS de apoiar os rebeldes Tigray

Os militares da Etiópia acusaram esta quinta-feira o secretário-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, de apoiar e tentar obter armas e apoio diplomático para o partido político dominante no estado de Tigray, que está a lutar contra as forças federais.

“Ele próprio é membro desse grupo e é um criminoso”, disse o chefe do Estado-Maior do Exército, general Birhanu Jula, num comunicado transmitido pela televisão, antes de pedir a sua remoção. Birhanu não ofereceu nenhuma evidência para apoiar suas acusações.

Até ao momento a OMS não fez comentários. Tedros é etíope de etnia Tigrayan.

Tedros serviu como ministro da saúde da Etiópia e ministro dos Negócios Estrangeiros de 2005-2016 numa coligação governante liderada pela Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF). A TPLF efetivamente governou a Etiópia durante décadas como a parte mais poderosa da coligação, até o primeiro-ministro Ahmed Abiy ter assumido o cargo em 2018. Abiy juntou os outros três partidos regionais no seu próprio partido nacional, mas o TPLF recusou fazer parte.

Birhanu acusou Tedros de usar a sua plataforma internacional para tentar obter apoio diplomático e armas para a TPLF.

“Ele tem feito de tudo para apoiá-los, tem feito campanha para que os países vizinhos condenem a guerra. Ele trabalhou para lhes facilitar a obtenção de armas”, acusou em conferência de imprensa transmitida pela televisão. “Ele tentou mobilizar pessoas usando o seu perfil internacional e o seu cargo para obter apoio para o TPLF.”, continuou Birhanu sem avançar detalhes que comprovassem as declarações.

Acusações não comprovadas da Etiópia não são suficientes para remover Tedros, de 55 anos, do cargo. O representante da OMS foi eleito em maio de 2017 como o primeiro secretário-geral africano da OMS numa plataforma de promoção da saúde universal.

EUA retiram-se da OMS

As acusações surgiram num momento em que a OMS está sob pressão considerável ao tentar coordenar esforços globais no combate à pandemia de Covid-19.

Recorde-se que no início deste ano, o presidente Donald Trump anunciou que os Estados Unidos se retirariam da OMS em julho de 2021 – de acordo com a lei dos EUA que exige aviso prévio de um ano – após acusar Tedros de não fazer o suficiente para responsabilizar a China pelo que Trump descreveu como tentativas iniciais de encobrir o surto de Covid-19.

Tedros rejeitou as acusações. “Estamos perto de todas as nações, somos fazemos distinções”, sustentou.

Os Estados Unidos foram o maior doador geral da OMS, com sede em Genebra, contribuindo com mais de 400 milhões de dólares em 2019, cerca de 15% de seu orçamento.

© e-Global Notícias em Português
Comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Topo