África Subsaariana | Crise

Expectativa sobre assinatura do Acordo entre a Presidência e a Oposição paralisa a RDCongo

CENCO

Para a Igreja Católica congolesa a esperança é a ultima coisa a morrer e acredita que até aos últimos minutos desta sexta-feira o Acordo entre a Oposição e a Presidência pode ser firmado. Segundo a Conferência Episcopal Nacional do Congo (Cenco) 95% das divergências estão ultrapassadas, mas 5% ainda estão a bloquear.

A oposição, reunida em torno do Rassemblement, está satisfeita com a evolução, mas lamenta que a Maioria, afeta ao presidente Joseph Kabila, não quer ceder quando à substituição do primeiro-ministro, Samy Badibanga, recentemente nomeado. Para o lugar de Badibanga a oposição já tem dois nomes na carteira que serão lançados se a Maioria ceder neste ponto.

Mas para a Maioria, se o presidente ceder e exonerar Samy Badibanga, nomeando um afeto à oposição, será contribuir num desequilíbrio de forças tendo em conta que o líder do Rassemblement, Etienne Tshisekedi, poderá assumir a presidência do Comité de Transição que terá como missão, entre outras, a supervisão do cumprimento dos Acordos e a reestruturação da Comissão Eleitoral Nacional Independente (Ceni), chefiada por Corneille Nangaa, um próximo de Kabila, antevendo-se assim uma conturbada reestruturação da Ceni.

Por outro lado, perante a possibilidade de uma coabitação política entre a Presidência e um Chefe do Executivo indicado pelo Rassemblement, esta poderá ser também motor do acentuar das divergências políticas resultando na ingovernabilidade da RDC durante o período de transição, assim como no surgimento de dois Governos opostos, um na sombra chefiado de facto por Kabila, e o segundo do Rassemblement.

Enigmático é o silêncio de Joseph Kabila, base da crise, reputado como um implacável estratega, não se tem pronunciado sobre a progressão das negociações, nem sobre os incidentes de 19 e 20 de dezembro, apesar de estar ao corrente de todos os passos dados e previstos a dar.

Com o multiplicar das violências interétnicas, especialmente nos Kivus, Kasai e Katanga, teme-se também um aproveitamento politico destes confrontos, para já em nada relacionados com a crise política.

De ambas as partes estão a tentar evitar o despoletar das clássicas violências, seja da oposição seja das forças armadas fieis ao presidente.

“Se não houver acordo, este fim-de-semana não vai acontecer nada. Mas vamos começar o ano com manifestações pacíficas e protestos sucessivos até a Presidência ceder”, disse um membro do Rassemblement à e-Global. O mesmo responsável da oposição realçou também que “a Maioria presidencial tem as armas, mas nós temos o povo e a capacidade de mobilização”, sugerindo assim que se a violência ocorrer será da responsabilidade da Presidência.

Enquanto a RDCongo espera pela conclusão dos Acordos o país está quase em autogestão. Na há falta de divisas, mas os investimentos estrangeiros estão paralisados, assim como algumas atividades comerciais domésticas. Apesar de os congoleses conseguirem manter um quotidiano aparentemente normal a economia começa a paralisar na expectativa da efetividade da assinatura do Acordo ou que os 5% por resolver suplantem os 95% acordados.

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