Gabão: Rússia envia lote de armas de pequeno calibre para o combate à caça furtiva

A Rússia entregou à Agência Nacional de Parques Nacionais (ANPN) do Gabão equipamento militar, incluindo armas de pequeno calibre, para os guardas das reservas naturais, os famosos guardas ecológicos. Uma novidade na história das relações entre os dois países, segundo dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI).

O material entregue será destinado exclusivamente a guardas florestais e agentes da ANPN.

“O Ministério da Defesa da Rússia fez uma entrega gratuita à República Gabonesa de armas ligeiras para ajudar o governo do país a combater a caça furtiva e proteger as reservas naturais”, refere um comunicado do Ministério da Defesa russo datado de 28 de novembro.

Para o Gabão, o anúncio dessa cooperação é um sinal forte, porque a questão é tão importante a nível ambiental quanto económico.

“Ao fortalecer o controlo sobre o uso dos recursos naturais, poderemos desenvolver atividades económicas, como o ecoturismo, que nos permitirá gerar rendimento e criar empregos sustentáveis”, afirmou o ministro da Agricultura, das Florestas, Mar e Meio ambiente do Gabão, Lee White.

Internacionalmente, o Gabão é considerado um dos países mais ativos na luta contra as mudanças climáticas. O país é 85% coberto pela floresta equatorial, ou 10% do total dessa floresta espessa húmida. Com 240 milhões de hectares, é o segundo pulmão verde do planeta, logo atrás da floresta amazónica.

Em setembro passado, à margem da assembleia geral anual da ONU, a Noruega anunciou que concederia ao Gabão 150 milhões de dólares (136 milhões de euros) sob um contrato de 10 anos assinado com Libreville para a “redução das suas emissões de gases de efeito estufa devido à desflorestação e degradação, e pela absorção de dióxido de carbono pelas suas florestas naturais”, de acordo com um comunicado da Forest Initiative África Central (Cafi), uma organização lançada pela ONU que reúne países da África Central e doadores ocidentais.

Um gesto também histórico, uma vez que o Gabão será o primeiro país do continente africano a ser pago por fundos internacionais para continuar os seus esforços contra a desflorestação.

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