África Subsaariana

Graça Mugabe assumiu o Zimbabue, afirma líder da oposição

“Robert Mugabe perdeu o controlo do poder e foi substituído pela sua mulher, Grace Mugabe”, afirmou o líder da oposição no Zimbabue, Morgan Tsvangirai. Acrescentou ainda que mulher do presidente de 91 anos está efetivamente no poder depois de um “golpe palaciano”, e que o governo está paralisado.

Graça Mugabe tem sido uma presença cada vez mais relevante no cenário político do Zimbabue nos últimos meses, assumindo um lugar-chave no partido no poder em dezembro passado, e indo por todo  o país em comícios e distribuindo presentes.

As suas declarações agressivas contra aqueles que considera insuficientemente leais ao marido vêm num momento em que o líder mais antigo em África está a ficar cada vez mais frágil. O austero Mugabe está em boas condições físicas e mentais, mas vários percalços nos últimos meses têm dado que falar.  Os guarda-costas tiveram que correr para impedi-lo de cair quando tropeçou, enquanto estendia a mão para cumprimentar o primeiro-ministro indiano Narendra Modi na última semana de outubro.

Um mês antes, leu o discurso errado durante a abertura do parlamento, sem perceber o erro. Mugabe ainda deverá ser aprovado pelo partido como candidato presidencial do Zanu-PF em 2018, quando terá 94 anos.

Com o fim do seu governo inevitavelmente a aproximar-se, já se avizinha uma luta pela sucessão. Os média locais já noticiaram dois campos concorrentes que se formaram em torno de chefe de Estado: Emmerson Mnangagwa e Grace Mugabe, apesar dos avisos do presidente Mugabe que a disputa pelo poder “ameaça dividir o partido”.

A afirmação de Tsvangirai de que Grace Mugabe está “subrepticiamente, mas de boa vontade” a assumir o poder, parece projetado para tirar vantagem das divergências atuais.

Graça Mugabe conseguiu reunir um grupo de membros mais jovens do partido à volta dela, apelidado pela imprensa local como o “G-40”, mas continua impopular na opinião pública devido às viagens de compras luxuosas no estrangeiro num momento em que a economia do país luta para recuperar de um período devastador de hiperinflação.

Na terça-feira, o Zimbabué anunciou que iria fazer do Yuan chinês a moeda corrente no país, mais uma das moedas que substituíram o dólar do Zimbábue, que foi abandonado em 2009, com inflação de 500%.

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