África Subsaariana

Guiné-Conacri: Alpha Condé nega “caça às bruxas”

O presidente da Guiné-Conacri, Alpha Condé, disse na sua primeira entrevista desde a sua reeleição, que não está a acontecer nenhuma “caça às bruxas” no país, apesar das detenções nos últimos dias de elementos da oposição.

“Não há caça às bruxas. Ninguém está a ser visado, exceto as pessoas acusadas de ter patrocinado “a violência em torno da recente eleição presidencial”, disse Alpha Condé, entrevistado na noite de sexta-feira em Conacri pela AFP e pela RFI.

Cinco membros da oposição ainda estavam detidos na noite de sexta-feira, de acordo com seus advogados. Cellou Baldé, ex-deputado, entregou-se na sexta-feira ao chefe da Polícia Judiciária, onde Ousmane Gaoual Diallo, Abdoulaye Bah e Etienne Soropogui já estavam  desde quinta-feira, e Ibrahima Chérif Bah desde quarta-feira.

Os cinco homens figuram entre os seis opositores declarados “ativamente” procurados na sequência da violência eleitoral e, mais especificamente, por terem proferido “ameaças suscetíveis de perturbar a segurança e a ordem pública”. Quatro deles são membros da União das Forças Democráticas da Guiné (UFDG), partido liderado pelo principal adversário de Alpha Condé nas eleições presidenciais, Cellou Dalein Diallo, que contesta veementemente o resultado da votação.

Alpha Condé foi proclamado definitivamente a 7 de novembro pelo Tribunal Constitucional da Guiné para o terceiro mandato consecutivo, aos 82 anos, após meses de protestos que que provocaram a morte de dezenas de civis.

Com as detenções, a oposição denuncia uma operação que visa silenciá-la e fazer esquecer o “golpe eleitoral” que, segundo os opositores, o Presidente Condé cometeu.

“Os acontecimentos não dependem de uma pessoa. Quero ressaltar que sempre fui contra a violência. Temos uma oposição formada por ex-primeiros-ministros que pensam que devem impor-se pela força”, declarou Alpha Condé. “Desde 2011, a UFDG tem uma postura de violência”, acusou.

Um mandato diferente dos anteriores

Eleito em 2010 e reeleito em 2015, Alpha Condé adiantou que o seu terceiro mandato, que se recusou a dizer se seria o último, será diferente dos dois primeiros.

“Sinto que não consegui o que queria – que é transformar as condições de vida das mulheres e dos homens – por causa dos quadros (de poder). Agora eu disse aos executivos, é o contrário. E eu serei implacável. Já não vou tolerar corrupção, clientelismo ou nepotismo”, assegurou.

Apesar de uma contestação que provocou inúmeros mortos e do boicote da oposição ao referendo constitucional de março, que utilizou para justificar a sua candidatura a um terceiro mandato, o presidente mantém a sua linha: “Se tivesse de refazer o referendo, faria de novo, porque que o que importa é que o povo se determine ”.

“Nunca disse que democracia é limite de mandatos”, insistiu, citando como exemplo os casos do Reino Unido ou da Alemanha.

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