África Subsaariana | Segurança

Guiné-Conacri: HRW denuncia uso excessivo de força por parte das forças de segurança

A organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch (HRW) denunciou na terça-feira, 25 de julho, a existência de evidências de que as forças de segurança da Guiné-Conacri usaram força letal excessiva e se envolveram em comportamentos não profissionais durante os protestos violentos de rua em fevereiro e março de 2018. A organização referiu que nenhum membro da polícia ou das forças de segurança foi preso ou acusado.

As eleições autárquicas, a 04 de fevereiro e a greve dos professores, no dia 12 de fevereiro, levaram a “violentos confrontos entre as forças de segurança e manifestantes”, salienta a HRW. Sete pessoas foram mortas na capital, Conacri, e uma pedra lançada por um manifestante matou um polícia. Registos médicos de cinco hospitais visitados pela Human Rights Watch sugerem que pelo menos 89 manifestantes ou espetadores ficaram feridos durante os confrontos, e pelo menos 22 deles foram baleados. Autoridades policiais disseram que mais de 80 agentes de segurança foram feridos, incluindo um polícia que perdeu um olho.

“Três meses após a última crise de violência eleitoral na Guiné-Conacri, as autoridades não deram os passos concretos para investigar e sancionar os responsáveis”, disse Corinne Dufka, diretora da Human Rights Watch na África Ocidental. “A única maneira de romper o ciclo de violência política no país e fornecer justiça para as vítimas é conduzir investigações confiáveis e responsabilizar os envolvidos”.

A Human Rights Watch entrevistou 67 pessoas em Conakri em abril e maio, incluindo vítimas e testemunhas da violência de uma série de grupos étnicos e partidos políticos. A organização também entrevistou médicos, jornalistas, autoridades policiais, autoridades eleitas, líderes políticos e ativistas.

De acordo com a Human Rights Watch, a Guiné-Conacri tem um histórico de uso de “força letal excessiva e de outros abusos por parte das forças de segurança e falta de neutralidade política ao responder a protestos de oposição relacionados com eleições”.

Em resposta a uma carta de 22 de junho da Human Rights Watch, o Ministério da Justiça da Guiné-Conacri anunciou que foram abertas investigações relativamente às mortes registadas em fevereiro e em março, mas recusou mencionar se algum membro das forças de segurança havia sido detido, acusado ou castigado.

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