África Subsaariana

Guiné-Conacri: Procuradora do TPI alerta para a escalada da violência e insta governo e oposição ao diálogo

A Procuradora do Tribunal Penal Internacional (TPI) alertou na segunda-feira os responsáveis guineenses para a escalada da violência na Guiné, instando o governo e a oposição a retomar o diálogo após as manifestações sangrentas no país. As tensões estão altas na Guiné depois de semanas de protestos organizados pela oposição contra um terceiro mandato de Alpha Condé.

“Após os relatos de inúmeros episódios de violência na Guiné nas últimas semanas, apelo a todos os líderes e seus apoiantes para que se abstenham da violência e retomem o diálogo para evitar novas vítimas”, disse a Procuradora do TPI, Fatou Bensouda.

“Qualquer pessoa que cometa, ordene, incite, incentive ou contribua para cometer crimes atrozes (…) pode ser processada pelos tribunais guineenses ou pelo TPI”, alertou em comunicado.

No total, pelo menos 16 civis e um polícia foram mortos durante os intensos protestos que ocorreram na Guiné-Conacri  desde 14 de outubro por iniciativa da Frente Nacional de Defesa da Constituição (FNDC). Dezenas de outros ficaram feridos, dezenas foram presos e julgados.

O FNDC quer bloquear o projeto do Presidente Condé, de 81 anos, para conseguir a sua própria sucessão em 2020 e rever a Constituição que atualmente limita a dois o número de mandatos presidenciais.

A oposição acusa de desvio “ditatorial” o ex-opositor histórico que foi o primeiro presidente democraticamente eleito em 2010 e reeleito em 2015, após décadas de regimes autoritários e militares.

A comunidade internacional está preocupada com uma escalada da violência num país acostumado a manifestações e repressão brutal.

Além disso, Bensouda acrescentou que o seu gabinete visitou a Guiné no final de outubro para analisar a investigação do massacre de mais de 150 apoiantes da oposição há dez anos no maior estádio de Conacri quando forças de segurança atiraram numa multidão que protestava contra o líder da junta Moussa Dadis Camara. Mais de 100 mulheres foram violadas.

Bensouda declarou que o julgamento dos responsáveis pelo massacre de 28 de setembro de 2009 deve começar o mais tardar em junho de 2020.

“Já faz mais de uma década que esses crimes horríveis ocorreram no estádio Conacri”, disse Bensouda. “As vítimas e comunidades afetadas merecem justiça”, sublinhou.

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