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Juncker propôs nova aliança com a África para combater influência da China

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, propôs uma nova aliança com a África para aprofundar as relações económicas e aumentar o investimento e o emprego, informa a BBC.

Juncker acredita que a proposta poderia ajudar a criar até 10 milhões de empregos na África nos próximos cinco anos. A proposta envolve o que chama de acordo de livre comércio “continente a continente”. Faz parte do plano da União Europeia aprofundar os laços com a África para combater a crescente influência da China.

Por um lado, os líderes da União Europeia ainda estão preocupados com o desafio da imigração descontrolada e suas consequências políticas. Daí o apelo de Jean-Claude Juncker por mais 10.000 polícias para impedir que os africanos e outros migrantes atravessem as fronteiras da Europa.

Juncker defende mais polícias, mais dinheiro para ajuda, para apoiar estados africanos fracos e empobrecidos e encorajar seus cidadãos a ficarem em casa, em vez de se juntarem aos que se dirigem para a Europa.

Mas cada vez mais, a Europa está emulando a abordagem da China para a África – concentrando-se no comércio e nas parcerias – não em conflitos e caridade. “Temos que parar de ver essa relação através do único prisma da ajuda ao desenvolvimento”, reconheceu Juncker, citado pela BBC.

Neste momento, a UE importa tanto da Suíça como de todo o continente africano. Portanto, há uma enorme oportunidade de crescimento e criação de empregos – crucial para a população em crescimento da África.

Na verdade, Juncker, apontando que em 2050 um quarto da população mundial seria africana, traçou um plano, ou uma aspiração, para criar até 10 milhões de empregos na África nos próximos cinco anos.

Juncker referiu que a África é um irmão gémeo da Europa – um sinal de apoio às tentativas do continente de construir a sua própria versão da União Europeia. Segundo o presidente da Comissão Europeia, esses gémeos acabariam formando uma gigantesca zona de livre comércio – “uma parceria entre iguais”.

Mas embora a União Africana tenha concordado numa zona de livre comércio em março, levará anos, talvez décadas, para alcançar os níveis de integração económica da UE.

Ainda assim, haverá apoio na África para quaisquer aberturas em direção a um relacionamento mais equilibrado e respeitoso com a Europa.

Nos últimos anos, tem havido um retrocesso contra o que alguns consideram a abordagem neocolonial da China à África – drenando o continente dos seus minerais brutos em troca de empréstimos baratos, projetos de infra-estrutura enormes, mas às vezes de má qualidade, e uma relutância estratégica em encarar muito de perto a corrupção de alto nível.

A Europa, que aponta que já 36% do comércio da África é com a UE, comparado com apenas 16% à China, está interessada em explorar a sua vantagem geográfica, em termos de proximidade com o continente, ao mesmo tempo que enfrenta a questão politicamente divisiva de migração descontrolada.

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