MFDC afirma que confrontos na fronteira com a Guiné-Bissau são “manipulação e intoxicação”

O líder do Movimento das Forças Democráticas da Casamansa (MFDC), Salif Sadio, acusa o Senegal de ter violado os Acordos de Roma quando Dakar anunciou a 26 de Janeiro de 2021 que estava a levar a cabo “operações ditas de segurança” na Casamansa.

Comunicado Salif SadioAtravés de um comunicado Salif Sadio afirma que as operações militares senegalesas são contrárias aos compromissos estabelecidos em Roma, entre o Governo Senegalês e o MFDC, no quadro “do processo de negociações para o regresso da paz na Casamansa”, lê-se no documento.

Salif Sadio lembra que a 22 de Fevereiro de 2014 em Roma, após uma reunião da delegação senegalesa, chefiada pelo Almirante Farba Sarr, e do MFDC, liderada por Bourama Cissé, as partes estabeleceram o código de conduta das “Medidas de Confiança Mútuas” que estabeleceria a regras que permitiram prosseguir as negociações. Neste quadro, o MDFC proclamou um cessar-fogo unilateral.

Para o líder o MFDC, o “código” estabelecido foi violado quando a 26 de Janeiro, “em cumplicidade com as suas milícias pagas, alimentadas e mantidas pelo próprio Senegal, o seu exército bombardeia aldeias da Casamansa e aterroriza as populações”.

Fazendo referência às forças que foram atacadas pelo Senegal no sul da Casamansa, Salif Sadio acusa os alvos de serem “milícias colocadas pelo Estado do Senegal para cometerem crimes na Casamansa a fim de prejudicar a imagem do MFDC”.

“O que se passa actualmente na fronteira com a Guiné-Bissau é apenas manipulação e intoxicação (….). Os supostos rebeldes do MFDC que o Senegal declara estar a atacar, são as mesmas milícias colocadas pelo Estado do Senegal com as quais o seu exército chega conjuntamente para atacar, não apenas o MFDC, mas também para cometer crimes na Casamansa”, tal como aconteceu em Diagnon ou Boffa-Bayott, acusa Salif Sadio.

O líder do MFDC qualifica também de “manipulação e intoxicação” quando “um tal de Nkrumah Abou Sané, que afirma ser secretário-geral do MFDC, declara num comunicado que as suas forças vão atacar as tropas senegalesas na Gâmbia”.

Assumindo ser o Comandante-chefe das Forças Combatentes do MFDC, Salif Sadio “declara”, no mesmo documento, que o MFDC “não reconhece Nkrumah Sané como secretário-geral do MFDC”, assim como “rejeita antecipadamente as consequências que podem advir das suas declarações irresponsáveis, tendo em conta que o MFDC nunca se envolve nos problemas políticos dos países vizinhos”.

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