Nigéria à beira de uma das maiores crises humanitárias do mundo por falta de fundos do PAM

O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas poderá, em poucas semanas, ficar sem financiamento para alimentar milhões de pessoas que vivem à beira da fome na Nigéria, intensificando uma das maiores crises humanitárias do mundo, disseram fontes próximas do processo, citadas pela Reuters.

No nordeste do país, 4,7 milhões de pessoas, grande parte refugiados do conflito com o grupo terrorista Boko Haram, precisam de rações para sobreviver, de acordo com o Programa Alimentar Mundial (PAM), um dos principais grupos de ajuda de distribuição de alimentos.

De acordo com uma fonte que pediu o anonimato por não estar autorizada a falar com a imprensa, o PAM tem fundos para continuar a apoiar os necessitados apenas até 18 de maio.  A organização estava “praticamente segura” de que receberia financiamento suficiente para durar até o final de junho, acrescentou a fonte.

Muitos dos que vivem em acampamentos de deslocados dizem que já mal conseguem o suficiente para comer.

“Todas as crises humanitárias a nível global estão lamentavelmente subfinanciadas e para o PAM a Nigéria está numa das piores situações de financiamento”, disse uma porta-voz do PAM.

A proximidade da estação das chuvas aumenta o risco de propagação de doenças, especialmente nos campos de deslocados, aumentando a pressão aos esforços para responder à crise humanitária.

A embaixada dos EUA em Abuja disse que o governo norte-americano está a trabalhar “urgente e cooperativamente com os parceiros num esforço para atender as necessidades humanitárias críticas no nordeste da Nigéria”.

“Não há fundos adequados para sustentar a resposta global a essas necessidades. Recursos adicionais devem ser encontrados com urgência para que a alimentação não pare”, disse a embaixada através de email à Reuters.

O PAM, juntamente com outros grupos, estão a ser alvo de críticas na Nigéria pela sua lenta reação à crise humanitária no nordeste, apenas lançando uma resposta completa no ano passado, enquanto outras organizações de ajuda estavam no país desde pelo menos 2014.

Esta crise é uma das consequências do conflito com o Boko Haram, que procura estabelecer um califado no nordeste da Nigéria desde 2009, e que não dá sinais de acabar. Um conflito que já fez mais de 20.000 mortos e deslocou mais de dois milhões de pessoas.

Apesar do exército nigeriano garantir que a insurreição está a acabar, grande parte do nordeste do país, em particular o estado de Borno, permanece sob a ameaça constante do Boko Haram. Atentados suicidas e ataques armados aumentaram na região desde o final da estação chuvosa no final do ano passado.

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