Oposição congolesa responde ao apelo Kinshasa “cidade morta”

Comemorando a marcha pacífica dos cristãos de 16 de Fevereiro de 1992, violentamente reprimida pelas forças de segurança de Mobutu Sese Seko, a oposição congolesa apelou aos Kinois a marcarem a data com paralisação da capital da República Democrática do Congo (RDC), numa ação que designam como “cidade morta” através da “desobediência civil pacifica”. Um apelo que à última da hora Etienne Tshisekedi, patriarca e líder carismático da oposição, solidarizou-se através de um breve comunicado contrariando assim as declarações do secretário-geral do seu partido, UDPS, Bruno Mavungu.

Apesar de a iniciativa ser alargada também às cidades de Lubumbashi, Goma, Bukavu e Kananga, as atenções estão concentradas em Kinshasa onde decorreram os acontecimentos de 1992, mas também por ser o centro aglutinador da oposição politica ao atual presidente Joseph Kabila.

A incitativa foi lançada pela Frente Cidadã 2016, criada em Dezembro de 2015 pela sociedade civil congolesa e organizações da oposição, e à qual aliaram-se as principais figuras da oposição como Moïse Katumbi, Vital Kamerhe, , Felix Tshisekedi (filho de Etienne Tshisekedi), Eve Bazaïba Masudi, e Martin Fayulu.

Segundo Eve Bazaïba, secretária geral do Movimento de Libertação do Congo (MLC) de Jean-Pierre Bemba, e principal dinamizadora da Frente Cidadã 2016, a Frente pretende demonstrar que apesar das diferenças a oposição congolesa consegue juntar-se e mobilizar em defesa do respeito da Constituição e da alternância democrática.

Para Vital Kamerhe, líder do partido União pela Nação Congolesa (UNC) e um dos promotores do movimento da Dinâmica da Oposição que tenta federar várias formações partidárias da oposição, o protesto coletivo desta terça-feira é um teste à unidade e capacidade de mobilização da oposição e que pretende alargar-se a todo o país.

A fim de contrariar os apelos da oposição o G7, grupo dos sete partidos que compõem a maioria presidencial, apelou por seu turno aos congoleses para não paralisarem e continuarem nesta terça-feira as suas atividades. Também, vários ministérios emitiram diretivas a lembrar aos seus funcionários que o 16 de fevereiro é “um dia de trabalho” e que qualquer absentismo será “fortemente penalizado”.

Todavia, por motivos de segurança, várias embaixadas ocidentais emitiram uma mensagem alertando para o risco de incidentes e informando que alguns estabelecimentos, como escolas e liceus, vão permanecer fechados durante a jornada de protestos prevista para hoje, 16 de fevereiro.

O 16 de Fevereiro marca a violenta repressão da “marcha dos cristãos” em 1992, quando, após as cerimónias dominicais, as igrejas católicas de Kinshasa apelaram aos seus fiéis a manifestarem pacificamente a favor da democracia no ex-Zaire (atual RDC). Para comemorar a efeméride o episcopado congolês anunciara em Novembro de 2015 que pretendia organizar marchas a 16 fevereiro. Em janeiro de 2016 o episcopado anulou a iniciativa alegando recear o aproveitamento político da comemoração.

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