África Subsaariana

Organização Mundial da Saúde continua sem conseguir controlar grave surto de Ébola na RDC

Ébola na República Democrática do Congo

O surto de Ébola existente na República Democrática do Congo (RDC) dura há já um ano e está prestes a descontrolar-se. Para o ministro do Departamento para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido (DfID, na sigla inglesa), Rory Stewart, a Organização Mundial da Saúde (OMS) deve declarar que esta é uma emergência internacional.

O representante do DfID visitou o local durante dois dias para observar os centros de saúde e as vítimas da doença, avaliando assim os problemas que dificultam os esforços para colocar a epidemia sob controle permanente. O surto tem sido devastador e muito perigoso, havendo, até ao momento, 2.400 pessoas que contraíram a doença e 1.606 mortes causadas pela mesma, de acordo com os dados divulgados pela OMS.

“Estamos no limite com esta crise. Continuamos a lutar contra ela, mas é muito perigoso. O pior cenário é se ultrapassarem os números de casos que se pode vacinar. Devido à insegurança, áreas onde a doença não existia, como Beni, viram a população ser atacada novamente”, afirmou Stewart, em declarações à imprensa.

A OMS recusou-se três vezes a declarar o surto como uma emergência de saúde global, em grande parte por razões técnicas. Esta decisão é criticada pelo ministro do Reino Unido, que incentivou a organização “a declarar que se trata de uma emergência de saúde global”, também para se conseguir mais facilmente o dinheiro extra necessário no combate à doença.

“Esta é definitivamente uma emergência de saúde pública. Quando estão a conversar com alguém com a doença, os profissionais de saúde estão a afastar-se porque, mesmo com equipamentos de proteção, as pessoas estão a contrair Ébola e as histórias são de partir o coração”, partilhou, acrescentando que alguns países europeus poderiam dar mais apoio financeiro, dando o exemplo da França.

O Reino Unido e os Estados Unidos da América foram os países que forneceram mais da metade do financiamento para a emergência. “Estamos com falta de dinheiro”, alertou o representante do DfID. “Haverá um déficit de financiamento de US $ 100 milhões [89.066.400 euros] e provavelmente de US $ 300 milhões [267.199.000 euros] até dezembro, porque temos que nos manter no topo disto. É uma resposta muito cara porque os sistemas locais simplesmente não estão lá. Não podemos mover-nos de uma área para a outra e dizer que está resolvido. [A doença] continua a sair da periferia novamente e a ir 300 quilómetros para o norte. O dinheiro é fundamental [para a vacinação]”, apelou.

“É muito difícil trabalhar com a infraestrutura do Ministério da Saúde do Congo. Existem aqui cerca de 300 clínicas de saúde pequenas. Quarenta por cento das infeções ocorridas em novembro e dezembro deveram-se ao facto de profissionais de saúde terem trabalhado nessas clínicas e transmitido [o Ébola] a outras pessoas”, disse ainda, referindo que a OMS admitiu que era muito difícil saber o que se passava nessas clínicas.

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