África Subsaariana

Política e petróleo barato dividem a Nigéria

Desde que em 2015 os políticos se recusaram a aumentar o salário mínimo dos trabalhadores em 3 USD (2,73 euros) os governadores dos 37 estados da Nigéria têm enfrentado problemas com os funcionários do estado.

O baixo preço do petróleo diminuiu as receitas do estado.

A Nigéria, que actualmente é composta por 36 estados e Abuja, a capital, funciona como uma federação na qual as decisões sobre as despesas têm lugar nos diferentes estados. Todos os meses o governo central recolhe dinheiro da venda do petróleo que representa mais de 50% das receitas totais.

Desde a descida abrupta do crude, o estado diminuiu as receitas em mais de sete mil milhões de dólares no período de Janeiro a Setembro de 2015, comparando com igual período de 2013 quando arrecadou 14 mil milhões de USD.

Este facto conduziu, em Junho, a uma crise, atrasando os pagamentos de salários dos funcionários, em vários meses, e levando a que 27 governadores pedissem um resgate ao presidente Muhammadu Buhari.

Em Dezembro de 2015 vários estados voltaram a cair em incumprimentos salariais dando origem a greves dos trabalhadores. Apesar de antecedida por uma crise do petróleo, a crise fiscal é muito mais antiga.

Em 1960, ano da independência do país, formaram-se apenas três regiões. Desde então tem sido dividido e subdividido. Existem cerca de 250 grupos étnicos na Nigéria e os maiores exigem estados onde estejam em maioria para dividir entre si empregos governamentais e dinheiro proveniente do petróleo.

A balcanização da Nigéria provocou uma forma de política tóxica. Na boca das urnas, a religião e os assuntos étnicos têm mais peso do que os ideais dos candidatos. Frequentemente os políticos ganham votos instigando animosidade entre os grupos étnicos vizinhos. Este sistema torna-se violento tendo provocado mais de 8 mil mortes em 2015.

Especialistas consideram que o governo federal, deveria condicionar os empréstimos a estados problemáticos, mas será pouco provável dado o seu próprio défice orçamental. Os estados poderiam cortar nos salários mas isso iria revoltar os trabalhadores. Por outro lado, vários governadores defendem a ideia de aumentar os impostos.

 

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