África Subsaariana

Precisa-se encontrar formas inovadoras para acelerar a Promessa de Cairo

(C) Direitos Reservados

Três ideias fundamentais emergiram das declarações feitas na sessão de abertura da Cimeira de Nairobi: vários êxitos foram alcançados nos últimos 25 anos no quadro do Programa de Ação de Cairo, mas são insuficientes; é preciso encontrar formas inovadoras para se avançar com vista ao alcance de direitos e sexuais e reprodutivos e alargar o consórcio entre o poder político (governos e parlamentares), organizações da sociedade civil, em particular de mulheres e jovens; bem como o setor privado.

Por exemplo, desde Cairo a mortalidade materna foi reduzida em 44% no mundo. Mas os abusos contra as mulheres e raparigas ainda persistem. Adolescentes continuam a falecer por causa de complicações com a gravidez.

A Diretora executiva do UNFPA propôs que a mensagem fosse clara: “Nunca mais. Queremos a igualdade de género em todo o mundo. Exigimos sermos plenamente respeitadas em casa, no trabalho e na rua. Vamos seguir os engajamentos políticos e tomar as melhores decisões para concluir o trabalho, através de investimentos inteligentes”.

Segundo Natalia Kanem, o número para UNFPA é “zero”, de acordo com os objetivos transformadores da agência: eliminar as necessidades não satisfeitas em planeamento familiar, eliminar a mortalidade materna e acabar com todas as formas de violência contra mulheres e raparigas assim como o abuso sexual de menores.

A princesa Mary da Dinamarca não gosta de ver as mulheres como “vítimas”, mas admite que são “mais vulneráveis em certas situações como, por exemplo, nas crises humanitárias”.

“Vulnerabilidade não significa debilidade, mas sim desigualdade”, defendeu. Os desafios permanecem. Portanto, a comunidade mundial reunida em Nairobi tem a oportunidade de reafirmar a promessa [de Cairo] e encontrar novas maneiras de cumpri-la. Vamos aproveitar as lições aprendidas nestes 25 anos, as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Vamos estabelecer novas alianças para ultrapassar as dificuldades. Vamos envolver os jovens de forma respeitosa e completa. Superemos as diferenças para garantir os direitos de todos. A única maneira de avançar é o cumprimento pleno dos direitos reprodutivos, independentemente do lugar onde vivam e o que tenham”, acrescentou.

A representante da realeza dinamarquesa sublinhou que “a educação e o conhecimento, assim como o poder de escolher e o reforço do direito das mulheres são as chaves para melhorar as condições de vida para todos”.

O ministro da Cooperação e Desenvolvimento do mesmo país pediu para se “intensificar os esforços, união, solidariedade e mobilização para se avançar nos direitos básicos, em particular na saúde e nos direitos sexuais e reprodutivos”

Rasmus Prehn disse que “só regressaria em 2030 para celebrar o cumprimento desta tarefa ainda inacabada”.

O chefe de Estado do Quénia destacou que “o empoderamento das mulheres serve para fortalecer as famílias, as nossas sociedades, as nações e ao mundo inteiro”.

Uhuru Kenyatta disse ainda que “estamos aqui para celebrar os progressos registados nos últimos 25 anos e assumir novos engajamentos para concluir a tarefa”.

A cimeira “Acelerar a Promessa de Cairo”, que decorre entre 12 e 14 de novembro, acolhe cerca de 7 mil delegados de mais de uma centena de países, entre os quais São Tomé e Príncipe, organizações internacionais, da sociedade civil, do setor privado e académicos estão reunidos na capital queniana até quinta-feira para encontrar formas pragmáticas de se progredir na afirmação dos direitos humanos e, em particular, nos das mulheres, para se construir sociedades prósperas e resilientes.

 

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