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República Centro Africana vai tentar de novo criar um roteiro e consensos para paz

Cartum

Representantes do governo de Bangui, de partidos políticos centro-africanos, organizações religiosas e da sociedade civil, sindicatos, e particularmente os líderes de 14 grupos armados da República Centro Africana (RCA) já começaram a chegar a Cartum no Sudão para participarem no “grande diálogo nacional centro-africano” que se inicia esta quinta-feira 24 de Janeiro sob égide da União Africana (UA).

Uma nova tentativa para encontrar um consenso entre as diferentes partes, que se vai iniciar num clima crispado devido aos recentes combates em Bambari das forças da Minusca contra os combatente da União para a paz na República Centro-Africana (UPC), os quais provocaram várias vítimas civis e que levou o coordenador militar da UPC, Ali Darassa, a pôr “seriamente” em causa a sua participação no encontro em Cartum.

O encontro esteve também em risco quando este domingo, 20 de Janeiro, 13 pessoas morreram Zaoro Sangou numa acção que, segundo o porta-voz da missão da ONU na RCA, Vladimir Monteiro, teria sido perpetrada pelo grupo 3R (Regresso, Reivindicação, Reconciliação) chefiado por Sidiki, que alega pretender proteger os Fulas.

Também Ali Darassa da UPC afirma que a sua organização é um grupo de autodefesa Fula que pretende, para além de defender os interesses da etnia na RCA, impedir o que qualifica de “genocídio contra os Fulas” e “contra os muçulmanos” na RCA.

O prosseguimento dos confrontos na véspera do encontro de Cartum levou alguns líderes de grupos armados a colocarem em causa, ou anular, a sua participação no encontro.

Apesar das Forças Armadas Centro-Africanas (FACA) serem apoiadas pela Missão da ONU (Minusca) e multiplicarem as ofensivas contra os grupos armados, o governo do presidente da república Faustin-Archange Touadéra apenas controla 20% do território do país. O restante território é controlado por diversos grupos armados, por vezes rivais, que não reconhecem a legitimidade do presidente Touadéra e encaram as forças da Minusca e da União Europeia como “ingerência estrangeira” na RCA, com a missão de “garantir a manutenção no poder de Touadéra”.

Após três tentativas falhadas, a 17 de Dezembro 2018 o presidente centro-africano, com o apoio da Minusca, tentou impor o programa DDR (Desarmamento, Desmobilização, Reintegração), não tendo todavia atingido os resultados esperados por Bangui. Um programa com o objectivo pretendido no DDR normalmente é adoptado numa situação de pós-conflito e não quando os grupos armados controlam 80% do território do país.

A acompanhar o encontro vão estar também delegações das Nações Unidas, União Europeia, França e Estados Unidos, assim como a Rússia, supostamente como “simples observador” mas que terá tido peso na escolha do local que acolhe o encontro. Cartum é a capital do Sudão, país aliado de Moscovo, tendo sido escolhida em detrimento de Addis Abeba, cidade sede da União Africana.

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